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| Igreja Matriz São Judas Tadeu - Itapevi |
A praça da matriz... iluminada. As bandeirinhas de papel de seda esvoaçam ao vento. As barracas de madeira, enfeitadas com ramas de bambuzinho, completam o quadro. Pedro, Dito, Eugênio, Nicanor, Moia, festeiros, dentre muitos outros. De um lado para outro, cuidando dos detalhes finais.
Dou-lhe uma. Dou-lhe duas. Dou-lhe três. Vendido para aquele cavalheiro ali. O Lamparina, do alto da barraca do leilão, aponta o dedo para “aquele cavalheiro ali” que, todo orgulhoso, vai buscar a prenda que acaba de arrematar.
O leilão termina. A barraca se transforma em coreto. A banda ocupa seu lugar. A Corporação Musical Mércia toca. Sem amplificadores, soprados a plenos pulmões, os instrumentos espalham no ar o som mágico das marchinhas valsas e dobrados. A percussão, com seus pratos brilhantes e couros esticados à medida, marca a cadência das melodias. O foguetório ilumina os céus.
Lá no fundo, a mocinha anuncia, aos gritos, os últimos números da barraca do coelhinho. Vai correr! Vai correr! E o coelhinho, assustado, vacila entre as casinhas numeradas, procurando um lugar para se esconder.
Ali perto, alguém se esgoela para ser ouvido. Vinte e três. Treze. Pingo no pé, nove é. Pai do saco, noventa. Deu aqui! Grita lá na ponta um felizardo. Conferindo. Não desmarquem suas cartelas. Pode pagar.
Na barraca dos comes e bebes (Ah! Essa sim dá gosto!), crianças, nos sentimos importantes, sentados com nossos adultos às mesas rústicas, saboreando os deliciosos petiscos servidos pelas festeiras. Lá fora, as pessoas passam e se repetem como que num carrossel.
Enquanto isso, no meio da multidão, o menino olha para cima, cobiçando a prenda amarrada na ponta do pau-de-sebo. Aguarda ansioso pela hora da escalada. Subida lenta e difícil. Nem na metade e já desce como um corisco. Volta para a fila. Vai tentar de novo. Não desiste. Em sua inocência de criança, parece pressentir que a vida lhe reserva muitas dificuldades. Tem que aprender a não desistir.
Ih! Lá vem a menina vendendo correio elegante. É a chance de uma declaração anônima que a timidez impede fazer. Será que ela não conta quem mandou a mensagem? Essa dúvida fica. Frases trocadas, encontros marcados. Não mais que isso. Outros bilhetinhos, outros encontros marcados e... não mais que isso.
Atenção! O rapaz de camisa branca e calça azul oferece para a moça de saia xadrez e blusa vermelha. É o alto-falante da torre da igreja, lá em cima, perto do sino, anunciando que alguém está oferecendo uma música para alguém. O chiado da agulha no disco quase “furado” de tanto tocar se antecipa à melodia. Dois corações, com certeza, não ouvem chiado algum. Apenas a emoção. A emoção de uma música, por um momento, só deles.
O serviço de som anuncia a última rodada da tômbola, a última corrida do coelhinho. Os sinos vão marcando o avançar da noite. As luzes vão sendo, aos poucos, apagadas. A fogueira recolhe suas chamas. A praça da matriz... vazia.

Delícia de leitura...
ResponderExcluirCara, essa bateu fundo na saudade.............
ResponderExcluirGostaria muito de saber quem escreveu: "Cara, essa bateu fundo na saudade......."?
ResponderExcluirQue bonito!!!Dá saudade mesmo das antigas e genuinas festas juninas!Eram românticase e com suas brincadeiras ingênuas,deixaram lembranças tão boas!!Obrigada por nos lembrar ,Ayrton!E homenagear um tempo que nunca deveria desaparecer...
ResponderExcluirOI, Ayrton. Sou urbana. Festa junina só na rua do meu tio - uma das poucas que ainda não era asfaltada na Mooca. Grata por me permitir viver um pouco disso. Grande BeiJÔ
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