Pátio Esperança - O mundo de Zé do Apito e de Nhá Zefa
O Pátio Esperança resistia ao desmanche,
sucateamento e desativação a que era submetida grande parte da malha
ferroviária, por ocasião da privatização/desativação da ferrovia.
Logo na entrada, ladeando o corredor que levava do portão
à casa, o pequeno e bem arranjado jardim. Rosas se misturavam harmoniosamente
com margaridas, palmas, brincos-de-princesa e dálias, dando sinais claros dos
cuidados de dona Zefa. Os vasos com samambaias, rendas portuguesas e petúnias
se penduravam pelas paredes do alpendre, delineando o contorno da porta da
frente. As janelas, uma de cada lado, enfeitavam-se com minúsculas flores plantadas
em miscelânea nas jardineiras caprichosamente entalhadas em troncos de árvores
e dependuradas rentes a seus parapeitos.
A construção, em si, era rústica. Tijolos assentados com
barro misturado ao esterco animal, para dar liga; reboco com areia grossa e uma
demão de cal, com tintura em tom amarelo-creme, cor padrão da companhia para as
casas da turma. Madeiramento
de paus tirados da mata ao redor e cobertura com telhas de cerâmica, trazidas
de fora dali.
No interior, uma sala com mesa de madeira maciça e quatro
cadeiras faziam companhia a uma cristaleira, presente de casamento de um dos
padrinhos, e ao rádio de válvulas, no suporte de madeira em um dos cantos. Nas
paredes, em molduras ovais, fotografias de pessoas da família, quadros de
santos e algumas gravuras de animais e paisagens tiradas de revistas e
calendários. No centro da mesa, dona Zefa fazia questão de manter um vazo de
flores, trocadas todos os dias, para que estivessem sempre vivas.
Autor: Ayrton Corrêa – Adaptação de trecho do
livro "Pátio Esperança", publicado em 2017, pela Editora Clube de
Autores.

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