Pátio Esperança - Caminhando nas mesmas pegadas
O Pátio Esperança resistia ao desmanche,
sucateamento e desativação a que era submetida grande parte da malha
ferroviária, por ocasião da privatização/desativação da ferrovia.
Já quase em cima da hora,
aquelas crianças iam saltando de dormente em dormente no leito abandonado da
estrada de ferro que, em tempos idos, serviram de guia para os comboios a caminho
dos mais distantes rincões; para a locomotiva a vapor que, aos berros, pedia
passagem e anunciava o avanço irreversível do progresso.
Pouco se consegue ver da via férrea. Encoberta pelo mato
alto, confunde-se com a paisagem e abriga, aqui e acolá, restos esqueléticos do
que um dia foi parte de um trem. Uma locomotiva, um vagão, um carro de
passageiro; todos irreconhecíveis e abandonados ao rigor da intempérie. Vendo-os ali, naquele estado,
ninguém arriscaria dizer que já contribuíram, e muito, para o desenvolvimento e
fartura da região.
À distância, Zé do Apito observa. Vê a alegria daqueles
garotos saltando por entre os obstáculos, como se estivessem contando os passos
e cercando o tempo, impedindo sua passagem. E seu Zé se lembra de quando também
caminhara naquelas pegadas. E se lamenta por não ter conseguido cercar o tempo.
Autor: Ayrton
Corrêa – Adaptação de trecho do livro "Pátio Esperança", publicado em
2017, pela Editora Clube de Autores.

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