sábado, 7 de novembro de 2020

 Pátio Esperança - Os homens da cidade grande

O Pátio Esperança resistia ao desmanche, sucateamento e desativação a que era submetida grande parte da malha ferroviária, por ocasião da privatização/desativação da ferrovia.

 


 


Passam pelo enorme portão de entrada das oficinas. O carro estaciona em frente à porta principal do prédio de tijolinhos à vista e, dele, descem três distintos cavalheiros, espreguiçando-se para ajeitar o corpo. Aparentemente, a viagem tinha sido longa, pois têm ar de cansados. Arriscaria dizer, o mais atento, que vieram da cidade grande. Paletó no encosto do banco do carro. Conservam a gravata, ainda que, também aparentemente, desconfortável por causa do calor.

Do prédio, um empregado, talvez um chefe, veio ao encontro deles, trazendo nas mãos alguns papéis que pareciam já preparados e separados para aquele momento. Cumprimentam-se, gesticulam, conversam e apontam para diversas direções. Olham a papelada aberta sobre a capota do carro e novamente voltam a apontar para todos os lados. Um deles parece ser o encarregado de tomar nota, pois, a cada movimento, lá vai ele, com sua caneta, rabiscar alguma coisa numa caderneta ao lado dos outros papéis.

Do seu canto, dona Maria Fumaça assistia a tudo aquilo sem conseguir, por causa da distância, ouvir o que diziam e, por isso mesmo, não fazia a mínima ideia do que estava se passando.

Autor: Ayrton Corrêa – Adaptação de trecho do livro "Pátio Esperança", publicado em 2017, pela Editora Clube de Autores.

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