Pátio Esperança - Os homens da cidade grande
O Pátio Esperança resistia ao desmanche,
sucateamento e desativação a que era submetida grande parte da malha
ferroviária, por ocasião da privatização/desativação da ferrovia.
Passam pelo enorme portão de
entrada das oficinas. O carro estaciona em frente à porta principal do prédio
de tijolinhos à vista e, dele, descem três distintos cavalheiros,
espreguiçando-se para ajeitar o corpo. Aparentemente, a viagem tinha sido longa,
pois têm ar de cansados. Arriscaria dizer, o mais atento, que vieram da cidade
grande. Paletó no encosto do banco do carro. Conservam a gravata, ainda que,
também aparentemente, desconfortável por causa do calor.
Do prédio, um empregado, talvez um chefe, veio ao
encontro deles, trazendo nas mãos alguns papéis que pareciam já preparados e
separados para aquele momento. Cumprimentam-se, gesticulam, conversam e apontam
para diversas direções. Olham a papelada aberta sobre a capota do carro e
novamente voltam a apontar para todos os lados. Um deles parece ser o
encarregado de tomar nota, pois, a cada movimento, lá vai ele, com sua caneta,
rabiscar alguma coisa numa caderneta ao lado dos outros papéis.
Do seu canto, dona Maria Fumaça assistia a tudo aquilo
sem conseguir, por causa da distância, ouvir o que diziam e, por isso mesmo,
não fazia a mínima ideia do que estava se passando.
Autor: Ayrton
Corrêa – Adaptação de trecho do livro "Pátio Esperança", publicado em
2017, pela Editora Clube de Autores.

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