Pátio Esperança - A chegada da Velha Senhora
O Pátio Esperança resistia ao desmanche,
sucateamento e desativação a que era submetida grande parte da malha
ferroviária, por ocasião da privatização/desativação da ferrovia.
Um dia, chega para morar no
pátio uma locomotiva. Das antigas. Daquelas movidas a lenha. Forte e ainda
muito elegante. Fora trazida à noite e colocada sobre os trilhos, entre as
máquinas mais modernas e os vagões. Estava em terra estranha. Não lhe disseram por
que teve que deixar a moradia que ocupou por muito tempo.
Cuidava-se muito bem. Parecia mais nova do que realmente
era; com seus metais muito bem lustrados, contrapondo o amarelo e o bronze de
seus detalhes com seu corpo bem delineado e em metal de cor mais escura.
Elegante, com seus óculos de aros finos e dourados, presos a uma corrente de
ouro; um lenço de seda ao redor do pescoço e um xale elegantemente jogado sobre
os ombros.
Dona de uma sabedoria sem par e igualmente humilde, como
puderam constatar com o tempo, irradiava otimismo e simpatia. Conquistou a
todos, logo na chegada, despertando admiração. Ficou muito feliz quando lhe
pediram consentimento para chamá-la de vovó.
– Não poderiam me proporcionar maior felicidade.
Recém-chegada, estranha, vinda vocês nem sabem de onde, já com o privilégio de
ser tratada com tanto carinho. Vocês são uns amores, meus netos queridos.
Autor: Ayrton
Corrêa – Adaptação de trecho do livro "Pátio Esperança", publicado em
2017, pela Editora Clube de Autores.

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