segunda-feira, 2 de novembro de 2020

 Pátio Esperança - Pátio Esperança

O Pátio Esperança resistia ao desmanche, sucateamento e desativação a que era submetida grande parte da malha ferroviária, por ocasião da privatização/desativação da ferrovia.

 



 

O Pátio Esperança, nome que ganhou mais tarde, era um terreno de tamanho suficiente para abrigar confortavelmente a todos que lá moravam. Ficava a poucos metros do final da plataforma da estação e era cercado por sobras de tela amarradas, com arame, em mourões, por sua vez; feitos com pedaços de trilhos retirados de trechos desativados da via permanente.

O grande portão de tela grossa, que se abria em duas folhas, era a entrada principal do pátio. Cruzando toda a extensão do terreno, os trilhos de um antigo ramal há muito em desuso e que, outrora, atendia à pedreira local, servia como moradia e via de acesso e de trânsito interno para alguns dos residentes.

O Pátio Esperança surgiu da necessidade de um espaço para abrigar, provisoriamente, uma população que se viu sem morada por causa das recentes transformações pelas quais vinha passando a ferrovia, em toda sua estrutura.

A rotina do lugar somente era quebrada com a chegada de novos moradores, o que, no começo, acontecia com bastante frequência e, com o passar do tempo, foi se espaçando, até se tornar bastante rara. O Esperança, sem dúvida, era um lugar agradável e localizado em uma região muito tranquila. 

À direita de quem chegava ao portão, as linhas de trem, ainda funcionando, se bem que com pouco movimento, e um barranco que fazia sombra ao cair da tarde. À esquerda, o riacho que descia dos lados da pedreira e cruzava toda a região, com suas águas transparentes roçando as pedras e o capinzal que descansavam em suas margens.

Autor: Ayrton Corrêa – Adaptação de trecho do livro "Pátio Esperança", publicado em 2017, pela Editora Clube de Autores.

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