Pátio Esperança - Pátio Esperança
O Pátio Esperança resistia ao desmanche,
sucateamento e desativação a que era submetida grande parte da malha
ferroviária, por ocasião da privatização/desativação da ferrovia.
O Pátio Esperança, nome que
ganhou mais tarde, era um terreno de tamanho suficiente para abrigar confortavelmente
a todos que lá moravam. Ficava a poucos metros do final da plataforma da
estação e era cercado por sobras de tela amarradas, com arame, em mourões, por
sua vez; feitos com pedaços de trilhos retirados de trechos desativados da via
permanente.
O grande portão de tela grossa, que se abria em duas
folhas, era a entrada principal do pátio. Cruzando toda a extensão do terreno,
os trilhos de um antigo ramal há muito em desuso e que, outrora, atendia à
pedreira local, servia como moradia e via de acesso e de trânsito interno para
alguns dos residentes.
O Pátio Esperança surgiu da necessidade de um espaço para
abrigar, provisoriamente, uma população que se viu sem morada por causa das
recentes transformações pelas quais vinha passando a ferrovia, em toda sua
estrutura.
A rotina do lugar somente era quebrada com a chegada de
novos moradores, o que, no começo, acontecia com bastante frequência e, com o
passar do tempo, foi se espaçando, até se tornar bastante rara. O Esperança,
sem dúvida, era um lugar agradável e localizado em uma região muito tranquila.
À direita de quem chegava ao portão, as linhas de trem, ainda
funcionando, se bem que com pouco movimento, e um barranco que fazia sombra ao
cair da tarde. À esquerda, o riacho que descia dos lados da pedreira e cruzava
toda a região, com suas águas transparentes roçando as pedras e o capinzal que
descansavam em suas margens.
Autor: Ayrton
Corrêa – Adaptação de trecho do livro "Pátio Esperança", publicado em
2017, pela Editora Clube de Autores.

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