Prezados Amigos,
Gostaria de saber sobre o Natal a medida certa para traduzir em palavras apenas uma pequenina parte do que ele representa.
No entanto, sei tão pouco e lembranças poucas as tenho também, que demais pretensiosa me parece a intenção de falar a respeito.
Lembro-me, para que tenham uma ideia, das senhoras, mães, tias e avós, à beira do fogão a lenha, ocupadas com os doces e salgados para o regalo das famílias que se reuniriam no dia seguinte, vinte e quatro.
Das crianças que se distraíam no quintal de terra batida, fazendo buracos para os jogos de bolinha de gude. Jogando o pião que, zunindo, tinha que tirar do círculo outros, tantos quantos conseguisse. Varetas para a pipa colorida que levava aos céus os sonhos das cabeças inocentes, ainda sem a maldade do cerol. Atarefados com a confecção do carrinho, muitas vezes sem rodas, feito com lata de óleo ou de sardinha, puxado por um pedaço de barbante, transportando os projetos e fantasias do seu condutor.
Lembro-me dos homens, pais, tios e avôs, providenciando não sei bem o quê. Apressados, andando para baixo e para cima. Não vi, mas imagino, que também se ocupavam em separar de suas economias a parte destinada ao Papai Noel.
Das mães preparando a melhor roupa para as crianças. Simples, mas muito bonitas; costumavam dizer. Das crianças enchendo seus sapatos com capim para alimentar as renas e colocando-os na janela para que o Bom Velhinho lhes deixasse um presente. Lembro-me de que às vezes ele não via o sapato, não via a janela, ou, com pressa, não conseguia parar o trenó.
Lembro-me de que à noite as pessoas se encontravam nas escadas da Igreja Matriz. Meia-noite... Missa do Galo.
Crianças, confesso, ainda que explicassem, não entendíamos bem o que acontecia. Imagino, no entanto, que eles, adultos, agradeciam pelas graças alcançadas no ano que se findava. Oravam, com certeza, pelo futuro e segurança de suas famílias. Pelos seus filhos.
Crianças, queríamos apenas dormir, para que o Papai Noel viesse.
Dia seguinte, corrida à janela. Sapatos revirados e vazios. Restos de capim espalhados pelo chão. E... quanta alegria! O presente! O prazer indiscritível de acordar dono de um brinquedo novo! A felicidade no encontro com os colegas. Aquilo tudo acontecia porque era Natal. Aquilo tudo era o Natal.
Como podem ver, gostaria, mas pouco sei. Ah! Lembro-me, ainda, das palavras que ouvia nos abraços de nossos adultos: Feliz Natal... Feliz Ano Novo... Que o Menino Jesus nos abençoe.
***

Costumo dizer que esse natal ao qual você se refere, não acabou! Creio que em pequenas cidades no interior, ainda exista esse corre-corre prá que a noite de natal seja cheia de alegrias. Nossa cidade cresceu mais do que eu gostaria, mas...é o progresso, e ele tem seu preço! Não temos mais nem onde pegar capim para o sapato na janela, a igreja matriz nem abre mais a meia noite por causa de ladrões. A missa do galo agora é mais cedo, 21:00 ou 22:00 horas. Confecção de carrinhos? Prá que? A loja de um real está aí, cheia de produtos "ching ling"! Não há mais espaço em nossa cidade de 300.000 habitantes, prá esse tipo de comemoração. Nós, sessentões, tivemos o privilégio de viver a época de 10.000 habitantes onde havia capim, latas, pipas, carrinhos de fabricação personalizada, arco e flechas e, principalmente, sentimento de solidariedade! Que sorte a nossa!
ResponderExcluirPedrinho