quinta-feira, 28 de junho de 2012

TIJOLINHOS À VISTA


De longe, parecia uma cortina marrom-claro-alegre. De perto, a perfeição do artífice. Assentados um a um. Milimetricamente iguais.
Pelo portão de duas folhas, circulação de veículos. Entrada e saída de pedestres, pelo portão menor.
As enormes bocas dos galpões se abrem, ávidas de gente. Os motores funcionam ruidosamente, movimentando a vida mecânica em seu interior. Locomotivas, vagões, carros de passageiros. Truques, pantógrafos, geradores. Tornos, fresas, plainas e prensas. Trabalhadores, artífices, aprendizes. Chefias.
Guindastes, pontes-rolantes e empilhadeiras carregam, descarregam e transportam grandes volumes.
Do lado de fora, a área ajardinada. A velha locomotiva aposentada. Hoje, decoração.  Os trilhos serpenteiam por entre os pedriscos, passeando pelas edificações.
As vestimentas se alternam entre o azul-surrado dos macacões e o branco-colorido dos trajes administrativos. Veículos rodoviários cruzam o pátio, misturando-se à paisagem ruidosa das oficinas.
E, em meio a tudo isso, a ferrovia prepara seu futuro. Nos meninos de macacão azul, “bibi” e sonhos na cabeça, a continuação de sua história.
Naquela tarde, o silêncio substitui as vozes das máquinas. Em grupos, os trabalhadores voltam pra casa. Acabam de encerrar o último dia de trabalho.
Ao fundo, a cortina marrom-escuro-entristecido despede-se de seu passado. Não mais motores, nem vozerio. Não mais o vai-e-vem de homens e máquinas. Nem meninos, nem sonhos. Portões definitivamente fechados. Apenas tijolinhos à vista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

AINDA PENSANDO O NATAL

  , Senhor Papai Noel, gostaria de fazer algumas observações que me parecem pertinentes. Contrária à situação do ano passado, neste, não f...