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| Rua Rio Branco - Jardim Portela - 1977 |
Lembro-me do tempo em que meu bairro, o Jardim Portela, não tinha luz elétrica. Depois, graças aos esforços de alguns moradores, a luz foi ligada nas casas. As ruas continuaram às escuras.
Antes da lâmpada, reinavam a lamparina, a vela e o lampião de querosene. Sofriam as paredes com a fuligem que esse tipo de iluminação deixava. Rastros negros em direção ao teto. Subindo pelo reboco ou pela madeira do batente.
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| Lampião a querosene |
Nas ruas – estreitos caminhos em meio ao matagal habitado por cobras, preás, tatus, pássaros e...assombrações – a luz da lanterna a pilha encantava. Objeto raro. O seu Rafael tinha uma.
Empunhando o farolete, a gente, ainda criança, se enchia de coragem e tomava a frente do grupo. Mato fechado. Impossível enxergar um palmo adiante do nariz. Era tarde da noite. Final de mais uma sessão de cinema.
Empunhando o farolete, a gente, ainda criança, se enchia de coragem e tomava a frente do grupo. Mato fechado. Impossível enxergar um palmo adiante do nariz. Era tarde da noite. Final de mais uma sessão de cinema.
O farol prateado, com energia da bobina acionada pela roda dianteira, posava majestoso no guidão da bicicleta do tio Dito. Varava o breu com sua luz amarela. Iluminava quando em movimento. Parou, não se via mais nada.
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| Farolete a pilhas |
Para os morcegos, corujas e outros animais de hábitos noturnos não poderia haver condições melhores.
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| Dínamo para farol de bicicleta |
Depois veio a iluminação pública. O número de casas aumentou. Cada canto um bico de luz para iluminar o quintal. O lampião e a lamparina foram para o porão. O maço de velas foi para a gaveta. O lampião de carbureto perdeu sua utilidade, pois o brejo foi aterrado e as rãs se mudaram. A luz do lampião de gás se enfraqueceu diante das lâmpadas incandescentes de muitas velas. O mato veio abaixo; os bichos se assustaram; o farolete foi aposentado e a bicicleta não precisou mais de farol. Os vaga-lumes, acredito, foram mostrar seu pisca-pisca em outras paragens. As assombrações pararam de assombrar e a luz da lua deixou de ser percebida.
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| Farol de bicicleta |
“Itapevi era então um vilarejo... A luz de suas poucas ruas era ligada e desligada, diariamente, pelo ‘Seu Pereira’ (Manoel Ignácio Pereira) dono do único cinema que já funcionou em Itapevi, com a denominação de ‘Cine Teatro São Manoel’ onde suas ‘matinês’ e suas ‘soiires’ eram projetadas ‘nas alvas telas deste cinema’ (como era anunciado no serviço de alto-falante externo do cinema)”.






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