Eu morava num lugar alto, em relação às margens do rio. Na minha casa não chegava enchente. Quando muito, entrava no quintal a água que transbordava da valeta. Entrava pelo portão da frente, por debaixo da cerca de arame farpado e saía por debaixo da cerca dos fundos.
Água barrenta, porque as ruas eram de terra. Sem calçamento.
Ganhava volume com a água que caía da cumeeira da casa. Atravessava o galinheiro, o chiqueiro, a horta e seguia livre lá pelos lados da bananeira. Pegava os caminhos da chácara e chegava ao rio.
Inofensiva. Não fazia mal a ninguém. Também pudera, não havia nada que atrapalhasse sua viagem, a não ser a criançada que, vez ou outra, brincava de represar a enxurrada.
Lá embaixo, na várzea, o rio despejava suas águas para fora do leito. Sem problemas. Naquele tempo, ninguém morava tão perto de suas margens como hoje.
Dias desses, a chuva caiu pesada. Não vi crianças brincando. Só adultos correndo de um lado para outro, na pressa de salvar, das águas, coisas e vidas.


Da valeta eu me lembro com clareza! Tinha mais ou menos 50 cms. largura pelos mesmos 50 cms. de altura e ia até a esquina passando por três lotes, o da esquerda e o da direita da casa! Lembro, também , que era uma terra vermelha e a valeta bem uniforme!
ResponderExcluirPedrinho