Um texto oferecido à leitura, enquanto editamos mais uma história do teatro na Fepasa.
A cadeira de balanço convida ao desfrute da tarde sonolenta. Do fogão de lenha, o cheiro gostoso do feijão com torresmo. Dona Zefa enxuga as mãos no avental. Apóia os cabelos grisalhos na almofada e olha distante. A estaçãozinha abandonada, perdida no meio do mato, retribui seu olhar. Parece pedir socorro. Dona Zefa firma os olhos e apura os ouvidos. Não, é apenas impressão. Onde já se viu estação falar!
A fila na bilheteria avança pelo pátio. O porteiro picota freneticamente as passagens de papel cartão colorido. Confere os passes livres.
No bar da estação, os últimos pedidos atendidos às pressas. O cafezinho fumegante desce queimando, com sabor de saudade. Do escritório, o empregado se apressa em aprontar a licença para o maquinista.
O trem aponta na curva e a plataforma se agita. As pessoas vão de um lado para outro, carregando sua bagagem de mão. Os pais buscam seus filhos para o embarque. Lágrimas na partida. Alegrias na chegada. Por alguns minutos, o trem de passageiro encobre o cargueiro parado na outra plataforma. É sempre assim. O movimento acelerado da ferrovia dá vida ao lugarejo. Lugarejo que nasceu em volta da estação ferroviária.
Todos a bordo. O chefe de trem sopra forte o apito. O som estridente chega aos ouvidos do maquinista. Chega, também, aos ouvidos de dona Zefa que desperta assustada. Olha para a estaçãozinha à sua frente. Abandonada. Perdida no meio do mato.


Saudade da minha época de criança quando nas férias viajávamos de trem, eu meus pais e meus irmãos. O lugar para onde iríamos era de menor importância, o que fazia a gente vibrar era o balanço do trem...
ResponderExcluirBeijos meu amigo.