sexta-feira, 7 de outubro de 2011

QUANDO EU ERA CRIANÇA...

UMA PEQUENA HOMENAGEM ÀS NOSSAS CRIANÇAS
Quando eu era criança, não existia, que eu me lembre, Dia da Criança. Quando eu era criança, a vida de criança não era moleza. Levantar cedo, ir para a escola, voltar da escola, fazer de conta que fazia a lição, ir para a rua, encontrar os amigos, correr, nadar...ufa!
Quando eu era criança, subia nas árvores, jogava bola nos campinhos, nadava nas lagoas e soltava pipa. Jogava bolinha de gude, brincava de mocinho e andava de carrinho de rolimã.
Não sei se porque nossa cidade era pequena e poucas as alternativas, ser criança era muito igual. Igual e bom à beça. Ser criança naqueles tempos era uma aventura.
Quando eu era criança, engraxava sapatos na cabeceira da ponte, trocava gibis no intervalo da matinê, andava de bicicleta e via descarregar bois. Freqüentava a missa de domingo, acompanhava procissão, estudava catecismo, brincava na quermesse, pulava fogueira e soltava busca-pés.
Quando eu era criança, assistia futebol, cabulava aulas, brincava carnaval, vendia ferro velho, “furava” a lona do circo, atirava de estilingue e colecionava figurinhas.
Quando eu era criança, andava sem medo, corria pelos campos, subia nos barrancos, entrava descalço nos brejos, enfrentava marimbondos, mergulhava nas enchentes, andava atrás da boiada, pescava na correnteza e caçava rã nos barreiros.
Quando eu era criança, brincava com meus amigos, brigava na rua, colocava apelidos, caçava passarinhos, sujava a roupa na terra, fazia cavernas no mato, enchia-me de carrapatos e tinha cara de anjinho.
Outro dia vi umas crianças catando latas para vender. A gente também fazia isso. Apenas era diferente. Não era para matar a fome. Vendia porque queria comprar doce ou para ingresso na matinê de domingo, por exemplo. Às vezes fico pensando se nossas crianças se lembrarão com saudades do tempo em que foram crianças. Bobagem. É apenas cisma minha. Claro que sentirão saudades.
Quando eu era criança, andava escondido a cavalo, fazia bolinhos de barro, buscava lenha no mato, corria do lobisomem, tinha medo do bicho-papão, fugia do boitatá, acreditava na mula-sem-cabeça e no saci-pererê.
Quando eu era criança, não existia, que eu me lembre, Dia da Criança. Eu acho até que esse dia foi inventado para lembrar que ainda existe criança.
Quando eu era criança...

4 comentários:

  1. Rogerio Pires
    ‎... qd eu era criança, já tinha o dia das crianças...mas não lembro de ganhar presentes...minha mãe nos levava ao Salão da Criança que existia em algum pavilhão do Ibirapuera e onde as empresas, inúmeras, não só de brinquedos , disponibili...zavam stands onde distribuíam seus produtos ou montavam brinquedos... enfim era um feira, lembro ainda que fui em mais 2 salões da criança quando foi inaugurado o pavilhão do Anhembi no começo da década de 70, depois nunca mais ouvi falar do Salão da Criança. Este era nosso presente e adorávamos. rsrrsrrr

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  2. Quanta saudades daquele tempo né...parece que estou vendo tudo aquilo que você descreve, e muito mais, meu pai levando a boiada tocando aquele berrante chorão...quanta saudade! do berrante e do meu pai!
    Ah! ontem estive na casa do Jurandir Salvarani e ele me mostrou uma miniatura do vinho fabricado na velha fábrica de vinho, Vinho Portela... você precisa ver...

    Nilva Ajala

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  3. Tempo de criança é de tempo de criança né? Tudo é maravilhoso! Até a correria que a gente tinha que fazer para fugir dos bois quando eles escapavam da boiada, era legal! Uma das lembranças mais claras em minha mente é quando depois de escutar o Juvencio, o justiceiro do sertão, ia prá rua, já por volta das 7:30 e ficava brincando até mais de meia noite, e quando voltava prá casa encontrava a porta encostada por uma cadeira, prá que eu pudesse entrar sem ter que acordar ninguem! Era um previlégio ou não era?



    Pedrinho

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  4. Ah! A miniatura de garrafa de vinho Portela, que a Nilva se refere, eu também tive oportunidade de vê-la quando numa ida minha a casa do Jurandir. Infelismente não tive a idéia de fotografá-la!


    Pedrinho

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