sexta-feira, 30 de março de 2012

NOS BAILES DA VIDA


      Dá quase para garantir que todo nós, os da minha geração, tivemos nossos bailes. Bailinhos,como se costumava dizer. Ainda não se falava em discoteca ou danceteria. Era nas casas dos amigos. Em salas, porões ou até mesmo nos quintais.
As vitrolas eram grandes e com caixas pesadas. Transportá-las  dava um trabalhão danado. Mas nada disso era problema. A turma ajudava. Uns carregavam o aparelho, outros, as caixas e os discos. Discos de vinil. Caiu, quebrou. Tinha que se ter o maior cuidado para não derrubá-los.
Roberto Carlos, Martinha, Erasmo, Wanderléa, Jerry Adriane, Wanderley Cardoso, Paulo Sérgio, Martinho da Vila e uns tantos estrangeiros, dos quais nem me lembro o nome.
Ainda que tivesse ritmo para todos os gostos, a música romântica ganhava a preferência da maioria. As músicas lentas. As dor-de-cotovelo. Aquelas para se dançar juntinhos. De rostos colados. Quem olhasse de longe tinha a impressão de que estávamos todos dormindo em pé, de tão lentos eram os passos. Mas eram as preferidas. Músicas para marcar um momento. Para deixar recordações. Para deixar saudades. Era para isso que serviam as músicas românticas.
Quem não se lembra, por exemplo, de I Started A Joke, Sentado à beira do caminho, Hei Jude!, Última canção, Dio como ti amo e Je T’aime.
Final de semana sem bailinho era como domingo sem a matinê do seu  Pereira. Sem graça.
Devagar o pessoal ia chegando. Na “mesa de som”, o encarregado pela troca de discos já estava a postos. Alguns casais iam para o meio do salão já ao som da primeira música.
Tino, Odair, Bimba, Chiquinho, Zé Calcinha e o Pedrinho conversavam animados a um canto do salão, enquanto que, perto da vitrola, Walter, Chico, Décio, Toninho, Geraldo e Dirceu pareciam escolher alguma música para incluir no repertório da tarde-noite.
Casa lotada. A rotina era sempre a mesma. Mesmas músicas, mesmas pessoas, mesmos assuntos. A espera pelo fim de semana também era igual. Com muita ansiedade. Como se cada bailinho fosse uma estréia.
Parados na porta, Altamir e Tonheira  “faziam hora” para entrar. Observavam o movimento.
Com o Bi, chegavam a Nice e a Luci. Logo em seguida, a Eva,  a Dalva e a Mariazinha entravam no salão. Lá dentro, em um dos cantos, a Irene, a Ifigênia e a Jandira colocavam as fofocas em dia.
“Sempre, quando eu venho aqui, só escuto de você. Frases tão vazias que pretendem dizer...” A música: O tempo vai apagar, de Roberto Carlos. LP:  O Inimitável. Todos dançando. Conversa, agora, só ao pé do ouvido.
Mais um grupinho. Vilma, Célia, Ivone e Nair. Entretidas em um animado bate-papo, preferiam deixar a dança para um pouco mais tarde.

Em companhia da Isabel e da Pitucha chegavam a Leninha, a Angela, a Janice e a Sueli. Vinham devagar, sem pressa. Sabiam que a festa estava apenas começando.
O responsável pela vitrola procurava atender aos pedidos de música.  Aquela para se dançar com o par de preferência.
Zenaide, Carlinhos, Zezinho, Té, Cidinho, Dudu, Luizinho, Vladi, Sardinha... a galera se completando.
Como disse, era assim. A rotina era sempre a mesma. Mesmas músicas, mesmas pessoas, mesmos assuntos... mesma felicidade. Dançava-se muito, conversava-se muito e namorava-se muito, também.                
Namoros e amizades que deixaram saudades. Ao som das músicas que embalaram nossas emoções, calaram fundo em nossos corações e, com certeza, nos acompanham pelos bailes da vida.

Um comentário:

  1. Se eu te falar talvez voçe não vai acreditar mas se algum dia vier aqui na minha casa eu vou te mostrar eu ainda tenho discos de vinil de todos esses cantores que voçe descreveu tenho tambem uma vitrola que ja era tempos mais modernos ja se dizia som tres em um mas esta aqui funçionando perfeitamente e mole ou quer mais - Zezinho Branco

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