Antigamente as
pessoas até que se encontravam e se viam com relativa frequência, consideradas as dificuldades. Distância não era desculpa.
Falta de tempo, muito menos. Tenho um amigo, o seu Juventino, que uma vez me
contou de suas viagens para visitar amigos e parentes. Pegava dois trens,
ônibus e uma outra condução até seu destino. Viajava quase que um dia inteiro.
Com malas e crianças pequenas, ou seja, malas grandes e crianças pequenas. Mas
não deixava de fazer suas visitas, pelo menos uma vez por ano.
Eu mesmo me
lembro das dificuldades para percorrer alguns quilômetros. Visitar Sorocaba,
Lapa, Tatuí e Bacaitava, por exemplo, exigia alguns sacrifícios. Mas a gente ia assim mesmo.
Naqueles
tempos, as crianças cresciam se conhecendo. Primos e colegas se viam regularmente. Parentes e amigos se esforçavam para não se perderem de vista por
muito tempo. E, como se costuma dizer, naquele tempo era diferente. Se melhor
ou pior, não sei.
Hoje tudo é mais fácil. Os meios de transporte são
mais velozes e em abundância. Num piscar de olhos, chega-se até onde Judas
perdeu as botas. Sem contar, ainda, que muita gente tem sua própria condução.
Ah, então agora as pessoas se vêem e se encontram mais do que antigamente? Não, nada disso. Algumas se falam por telefone ou se
comunicam por computador. Quando se encontram, nem se conhecem. Não raras as
apresentações: “– Olha, esse aqui, que você não conhece, é filho do seu primo,
que você também não conhece e que, por sua vez, é filho da sua tia que você nunca viu”. “– Tá, muito prazer”.
Se antes as pessoas forçavam encontros,
hoje elas se encontram forçosamente em algumas situações. Algumas, não muito
agradáveis, como velórios, enterros e missas de sétimo dia. Ou em compromissos
sociais, como casamentos, colação de grau, eleições e bailes de formatura. Mas,
fazer o que, se não dá tempo? Se não sobra tempo pra nada?
Encontros forçados. Encontros que provocam reflexões
e promessas. Que nos põem a questionar o porquê de tanto afastamento e a
prometer a reaproximação o mais rápido possível. E esse “mais rápido possível”
acaba, sempre, ficando por conta de novos acasos; de novas e nem sempre
desejadas ocasiões especiais.





Cada dia escrevendo melhor, não apenas na qualidade do texto - irretocável - mas também e principalmente no conteúdo, com reflexões ao mesmo tempo líricas e filosóficas. - Vital
ResponderExcluirMuito bom - Fábio
ResponderExcluirAyrton e como voçe comentou´´ tenho saudades daquele tempo somente porque amigos de tanto tempo como voçe o Pedrinho e mais alguns que não vou citar nomes mesmo porque eu não tenho inimizade mas amigos de longa data eu acho que da pra contar nos dedos não sei se voçe tambem pença assim um abraço e ate breve..... - José Branco
ResponderExcluirmuito bom, parabéns, Ayrton
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