A estação se
sobressaia na paisagem. A bilheteria,
com seus guichês olhando para a passagem de nível, ficava entre dois portões
grandes de tela e duas roletas. Portões para entrada e saída de carga. O acesso
do usuário era feito por uma das roletas, depois de entregar o bilhete, que
também era chamado de passagem, ao porteiro, que o picotava e o devolvia ao
dono. A passagem tinha que ser apresentada ao chefe de trem, durante a viagem,
como comprovante de pagamento.
Pelos guichês era possível ver os bilhetes
coloridos sobre a mesa do bilheteiro. Carimbados com a data do dia.
Identificados facilmente por suas cores diferenciadas. Bilhete para longo
percurso, para a capital e para o interior; só de ida ou ida e volta. Meia
passagem.
Depois da bilheteria, a estação,
propriamente dita. Larga e forrada de pedriscos acinzentados.
Suas plataformas serviam os trens que iam
para a capital e os que se dirigiam para o interior. A placa de dupla face
trazia, em letras grandes, o nome da estação. No rodapé, em letras menores, sua
altitude em relação ao nível do mar. Parece-me que algo em torno de setecentos
e quarenta metros.
No centro da plataforma, o prédio que
abrigava o escritório e o armazém. No armazém ficavam as cargas que aguardavam
embarque ou retirada. Duas pesadas portas de madeira sobre trilhos, uma de cada
lado, cuidavam da segurança.
Entre
o armazém e o escritório, a sala de espera, em arco. Como um pequeno túnel,
ligando as duas plataformas. Numa parede os bancos para os passageiros e, na
outra, dois guichês para atendimento ao público.
No escritório trabalhavam os empregados que
cuidavam da administração da estação. Telegrafistas, manobradores, portadores,
trabalhadores e o chefe de estação. O chefe da estação, com seu boné vermelho.
Na parede, o relógio de algarismos romanos,
o suporte para as bandeiras de sinalização, verde, vermelha e amarela, e o
seletivo para comunicação com o controle de tráfego. Numa das mesas, o aparelho
de telégrafo, com seu martelar incessante. Dividindo espaço com blocos de
memorandos, carimbos e telegramas, os lampiões usados no serviço de manobra e
sinalização. Próximo a uma das portas, o cabide, com bonés, capas de chuva e
agasalhos dos trabalhadores. O escritório também tinha duas portas. Uma para
cada plataforma. E, anexo ao prédio do escritório, o banheiro feminino.
O barzinho da estação, o bar do Pedro,
ficava logo depois do escritório. Sua porta se voltava para o prédio da
administração e, nas laterais, as janelas-balcões. Duas, uma para cada
plataforma. Nelas eram servidos os clientes, sempre apressados. Nelas ficavam
os vidros giratórios com as cobiçadas e coloridas balas Paulistinha.
Em seguida vinha o banheiro masculino, que
alguns chamavam de mictório, mais uma placa, igual à primeira, e o alambrado de
malha graúda, que indicava o fim da estação de trem da minha cidade.



Muita gente da época estarão vendo essas fotos e sentirão saudades! Eu me lembro exatamente da maneira como voce descreveu! Pena que não dávamos tanto valor!
ResponderExcluirPedrinho