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Embora o serviço de
meteorologia tivesse previsto tempo frio para aquele dia, a temperatura era
agradável. Céu azul, nenhuma nuvem. As ruas vazias. Sentamos no quintal, na
frente da casa. Eu, minha mãe e meu irmão. A conversa sem compromisso, sem
preocupações. Falávamos de tudo um pouco. Dos netos, dos filhos, dos estudos,
de trabalho, de cachorro, do gato de rua que faz barulho no forro da casa.
Pensamos em colocar um cachorro no forro. Depois algum animal para espantar o
cachorro e assim por diante. Desistimos e acabamos deixando o gato em paz.
A rua silenciosa. Aliás,
silenciosa demais. Perguntei por onde andariam as crianças. Com certeza,
ocupadas com suas agendas. Seus compromissos escolares. Ou então, em frente à
televisão ou distraídas com seu vídeo game.
O silêncio e a calma nos fizeram lembrar de um tempo em que a criançada brincava na grama, na valeta, no meio da
rua.
Se era melhor do que agora, não
vem ao caso. Apenas, era diferente. Uma diferença marcante, no mínimo. E nos
deixamos levar pelas lembranças. Do tempo em que a nossa rua, era palco de
brincadeiras das mais variadas. Bolinha de vidro, pião, papagaio, bafo,
pegador, latinha, cabanas, amarelinha. O vozerio se espalhava pelo ar, enchendo
nossas casas.
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| Junho 1980 |
Casas que eram poucas. A da
chácara, a do seu Joaquim, do seu Rafael, a da dona Tereza, a do
“Caipira”, a do tio Dito, a do seu Lino e a nossa. Em alguma outra parte
da vila, a casa do Chiquinho, do Altamir, do Cidinho, do Odair, do Dudu.
De manhã à tarde, o espaço para
nossas brincadeiras era a rua. Correndo pra casa só pra comer alguma coisa ou
para ouvir, no rádio, a novela do Juvêncio, o Justiceiro do Sertão.
Lembramos dos gibis e
lamentamos não ter nenhum exemplar guardado. Cavaleiro Negro, Zorro, Roy
Rogers, Fantasma. Da dificuldade em se conseguir as bolinhas de vidro com
“carambola” dentro. As mesmas que hoje se compra aos montes, sem gastar muito.
Das figurinhas assinadas e das carimbadas. Difíceis de conseguir e, portanto,
valiosas na hora da troca, lembrou o Pedrinho.
Das lagoas com suas águas de
chuva ou de enchentes. Fundo de lama e, com certeza, muitos bichos. Das botas
de barro que cobriam nossas pernas. Nenhuma alergia ou cobreiro. Dos poucos
medos. Medo de descer o cabo de aço ou de mergulhar em algum ponto do rio ou
das lagoas. Medo de boi. De estouro da boiada. De assombração. Medo de
tamanduá!
Lembramos da escola feita de
madeira. Não conseguimos lembrar dos nomes de nossos colegas do primário.
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| Julho 1990 |
Lembramos do tempo e o relógio
interrompe nossas lembranças. Hora de ir embora. Fim de conversa. Olhamos para
o muro de mais de dois metros de altura à nossa frente. Não dá mais para ver a
rua. E minha mãe se lembrou do que havia no lugar daquela barreira de blocos.
Há muito tempo, exatamente naquele lugar, um esparramado e bonito pé de
batata-doce.



Então sobre o pe de batata doce eu li a historia e achei muito legal porque e coizas que vivemos e vivenciamos naquele tempo a unica coiza chata e que a maior parte das pessoas que voçe disse o nome eu acho que não tem mais ninguem mas enfim estamos aqui para recordar esse tempo e é muito bom recordar tudo isso e saber que tenho amigo como voçe. - José Branco (Zezinho)
ResponderExcluirAyrton, caríssimo, esse seu texto está mais doce do que doce de batata-doce!!!!!!!!!!!!!!! - Valquíria
ResponderExcluirDulcíssimas. Eu e minha mãe (sou o caçula) cuidávamos da horta, e lembro como ficávamos felizes quando as verduras cresciam... nada paga, e nem apaga essas lembranças. - Vital
ResponderExcluirLindo texto amigo
ResponderExcluirCaro Ayrton! Feliz 2013 pra você e para aqueles que lhe são caros! É amigo, recordar é viver! Texto agradável e realmente doce! Quando o estava lendo parecia que as imagens estavam passando em minha frente. Parabéns, grande abraço! Linda
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