segunda-feira, 11 de março de 2013

ALGUÉM PODE EXPLICAR?


Olhar perdido no horizonte.
Ao seu lado, na pedra fria da plataforma, o boné,
companheiro de muitas jornadas.
As mãos calejadas acariciam a barba por fazer e
disfarçam a lágrima que teima em denunciar sua tristeza.
Vasculha o passado.
Um sentimento de impotência lhe invade a alma.
O baque surdo da marreta se mistura aos motores das máquinas
demolidoras.
Por quê? Alguém pode explicar?

Sente, ainda, o aroma inigualável do carvão.
Ouve, ainda, o ranger dos freios.
O som plangente do apito a vapor.
Na lembrança, os grossos rolos de fumaça se misturam
à algazarra feliz das crianças em traje de domingo.
A estação lotada. Abraços na chegada. Acenos na partida.
Por quê? Alguém pode explicar?

Lembra da máquina a fogo dando lugar à diesel.
Tempos depois, a vez da elétrica.
Progresso, prosperidade.
E, agora, outras máquinas passam barulhentas.
Derrubando, arrancando, amontoando, sucatando, destruindo.
E ele ali, com sua agonia a lhe assar as entranhas,
em seu adeus silencioso.
Inútil pedir socorro.
Um pedaço da sua vida está indo embora.
A lhe fazer companhia, apenas o boné e o surrado uniforme da ferrovia.
Testemunhas solidárias de seu sofrimento.

Por quê? Alguém pode explicar?

Um comentário:

  1. Espricar talves não mas se e que eu estou recopnhecendo essa estaçao muitas vezes estive ali e quantas vezes eu ficava ouvindo o barulho dos sinais da batida de telegrafo sem saber oque era aquilo e sem saber o porque daquelles pontos uma coriossidade acho que voce conhece letras de telegrafia e o siguinificado das batidas tigo assim porque eu acho muito legal apezar de ser passado .... - José Carlos Branco

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