Muro
alto. À vista, apenas o telhado. Do outro lado, o que há, não sabe o
passante. Uma construção, isso ele sabe. O que é, não arrisca. Segue seu caminho sem se importar. É apenas um forasteiro.
Também
passo por ali regularmente. Também vejo
o muro. Igualmente, vejo o telhado. Mas, diferente do forasteiro, vejo através da
imensa parede de blocos. Visualizo, em
detalhes, o que existe do outro lado. É
como se nada tivesse mudado. Prefiro
acreditar que o tempo parou e que tudo está exatamente como antes. Os tempos bons não devem passar.
Sem
muro. Apenas mourões de cimento,
traspassados de fios de arame lisos.
Quatro fios, se não me falha a memória.
O gramado em torno de uma construção baixa. Dois andares. Frente para a avenida. Portão largo para acesso à secretaria. Portão lateral para os carros. Portões, acreditem, permanentemente abertos.
No
primeiro andar, administração. Segundo,
salas de aulas. Na parte de trás, no térreo, o saguão com a lanchonete e
toaletes.
Lá
no fundo do terreno, a quadra para a prática de esportes e educação física.
Mais.
Vejo a porta de entrada do edifício.
Observando o movimento e cuidando da disciplina, seu Miguel. No interior, os
professores, chegando e se preparando para o início das aulas. Laurinha, Lúcia, Wanderley,
Kuia...
Vejo
a avenida e seus pontos brancos. Pintada de branco. Branco dos guarda-pós, o
uniforme. Chegando aos poucos, os
alunos. Irineu, Bico, Nilsa, David,
Linda, Osmar, Orlandinho...
Soa
a campainha. O som estridente da
“cigarra” anuncia o início das aulas.
Sobe a porta metálica. No corredor, os alunos se distribuem pelas
classes.
Na
sala, as aulas se sucedem na troca de professores. Manoel, Gegê, Terezinha...
Às vezes a atenção se desvia para um papo em cochicho com o amigo ao lado ou um
olhar furtivo para alguém especial. E a
chamada continua. Claus, Cornélio,
Érica, Laércio, Lídia, Moisés, Sônia...
A
campainha, novamente. É o
intervalo. Portas se abrindo, vozes se
confundindo e todos, quase que ao mesmo tempo, descendo as escadas que levam ao
saguão. Os amigos aproveitam para um
bate-papo que não pode passar de quinze ou vinte minutos.
Toca
o sinal. Segundo turno. Na classe a disposição já não é mais a
mesma. O sono e o cansaço começam a
tomar conta. O tempo se arrasta
lentamente e o professor usa todo seu talento para manter o pessoal
desperto.
Outra
vez a campainha. Dessa vez anunciando a
hora da saída. Os amigos se procuram. Os casais se encontram. Voltam para suas
casas. A avenida Presidente Vargas se
veste de branco novamente. Aos poucos vão se dispersando, seguindo caminhos
diferentes. Portela, Centro, Don Pedro,
Jardim da Rainha, Parque Suburbano... Na estação, a espera pelo trem. Ali, perto da bilheteria ou junto à placa com
o nome da cidade ou, mais ao fundo, perto do bar. Sentido capital, sentido interior.
Chega
a época das provas. Noites e fins de semana comprometidos. Equipes se
reunindo. Matemática, Física, Química,
Inglês...
Formatura. Salão do Cine São Manoel. O cinema do Pereira.
Lembranças. Lembranças do tempo de colégio. Colégio Estadual de Itapevi. Do velho e bom CEI. Da cantina. Dos amigos de
verdade. Dos planos e sonhos para o futuro.
Da incerteza do caminho a seguir. Dúvidas. Dos romances rápidos e
passageiros. Das trocas de bilhetinhos.
Dos versos escritos nos cadernos.
Das noitadas de estudos. Das
paqueras de tirar o sono. De um tempo
que voa. Da paixão que marca. De
alegrias e momentos inesquecíveis. Da
saudade que fica.
vc esqueceu de mencionar as dores de cabeça que vc tinha com as suas irmãs namoradeiras, no colégio rsrsr - Célia
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