segunda-feira, 19 de agosto de 2013

NOS TEMPOS DE COLÉGIO

Muro alto.  À vista, apenas o telhado.  Do outro lado, o que há, não sabe o passante.  Uma construção, isso ele sabe.  O que é, não arrisca.  Segue seu caminho sem se importar.  É apenas um forasteiro.
Também passo por ali regularmente.  Também vejo o muro.  Igualmente, vejo o telhado.  Mas, diferente do forasteiro, vejo através da imensa parede de blocos.  Visualizo, em detalhes, o que existe do outro lado.  É como se nada tivesse mudado.  Prefiro acreditar que o tempo parou e que tudo está exatamente como antes.  Os tempos bons não devem passar.
Sem muro.  Apenas mourões de cimento, traspassados de fios de arame lisos.  Quatro fios, se não me falha a memória.  O gramado em torno de uma construção baixa.  Dois andares. Frente para a avenida.  Portão largo para acesso à secretaria.  Portão lateral para os carros.  Portões, acreditem, permanentemente abertos.
No primeiro andar, administração.  Segundo, salas de aulas. Na parte de trás, no térreo, o saguão com a lanchonete e toaletes.
Lá no fundo do terreno, a quadra para a prática de esportes e educação física.
Mais. Vejo a porta de entrada do edifício.  Observando o movimento e cuidando da disciplina, seu Miguel.  No interior, os professores, chegando e se preparando para o início das aulas.  Laurinha, Lúcia, Wanderley, Kuia...
Vejo a avenida e seus pontos brancos. Pintada de branco. Branco dos guarda-pós, o uniforme.  Chegando aos poucos, os alunos.  Irineu, Bico, Nilsa, David, Linda, Osmar, Orlandinho...
Soa a campainha.  O som estridente da “cigarra” anuncia o início das aulas.  Sobe a porta metálica. No corredor, os alunos se distribuem pelas classes.
Na sala, as aulas se sucedem na troca de professores. Manoel, Gegê, Terezinha... Às vezes a atenção se desvia para um papo em cochicho com o amigo ao lado ou um olhar furtivo para alguém especial.  E a chamada continua.  Claus, Cornélio, Érica, Laércio, Lídia, Moisés, Sônia... 
A campainha, novamente.  É o intervalo.  Portas se abrindo, vozes se confundindo e todos, quase que ao mesmo tempo, descendo as escadas que levam ao saguão.  Os amigos aproveitam para um bate-papo que não pode passar de quinze ou vinte minutos.
Toca o sinal.  Segundo turno.  Na classe a disposição já não é mais a mesma.  O sono e o cansaço começam a tomar conta.   O tempo se arrasta lentamente e o professor usa todo seu talento para manter o pessoal desperto. 
Outra vez a campainha.  Dessa vez anunciando a hora da saída. Os amigos se procuram. Os casais se encontram. Voltam para suas casas.  A avenida Presidente Vargas se veste de branco novamente. Aos poucos vão se dispersando, seguindo caminhos diferentes.  Portela, Centro, Don Pedro, Jardim da Rainha, Parque Suburbano... Na estação, a espera pelo trem.  Ali, perto da bilheteria ou junto à placa com o nome da cidade ou, mais ao fundo, perto do bar.  Sentido capital,  sentido interior. 
Chega a época das provas. Noites e fins de semana comprometidos. Equipes se reunindo.  Matemática, Física, Química, Inglês...
Formatura.  Salão do Cine São Manoel.  O cinema do Pereira.
Lembranças.  Lembranças do tempo de colégio.  Colégio Estadual de Itapevi.  Do velho e bom CEI. Da cantina. Dos amigos de verdade. Dos planos e sonhos para o futuro.  Da incerteza do caminho a seguir. Dúvidas. Dos romances rápidos e passageiros. Das trocas de bilhetinhos.  Dos versos escritos nos cadernos.  Das noitadas de estudos.  Das paqueras de tirar o sono.  De um tempo que voa.  Da paixão que marca. De alegrias e momentos inesquecíveis.  Da saudade que fica.

Um comentário:

  1. vc esqueceu de mencionar as dores de cabeça que vc tinha com as suas irmãs namoradeiras, no colégio rsrsr - Célia

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