“Este
estabelecimento estará fechado para balanço no período de 31 de dezembro a 02
de janeiro. Estaremos atendendo normalmente dia 03”. Aviso comum no comércio, nos fins de ano. Pequenas
variações de texto e datas, mas com o mesmo significado: fechado para balanço.
Resolvi
aderir à moda. Reservar alguns dias para fazer balanço. Ver como se comportaram
minhas receitas e despesas no ano que findou. Ver se tive lucro ou prejuízo.
Saber
quanto dos trezentos e sessenta e cinco dias dediquei à minha esposa e aos meus
filhos. Para conversar, ouvir suas histórias, saber de suas rotinas e suas
dúvidas. Saber de seus medos, suas alegrias e seus sonhos. Compartilhar de seus
planos, trocar experiências e lhes oferecer um ombro amigo. E com minha mãe,
meus irmãos e suas famílias, quantos desses dias todos participei de suas vidas
e dei oportunidade para que participassem da minha.
Quantas
vezes me lembrei de Deus, não só para pedir ajuda nas horas difíceis, mas
também para dar graças pelos sucessos alcançados. Em quase quatro centenas de
dias, o que fiz para ajudar o próximo. Quantos, desses dias todos, atendi ao
apelo de quem me estendeu a mão.
O
que fiz para estar junto de meus amigos. Quantos amigos fiz por merecer no ano
que terminou. Quantos novos amigos ganhei em trezentos e sessenta e cinco dias
do ano. Amigos de infância, de escola, amigos de trabalho, amigos de toda uma
vida.
Amigos
que me escrevem. Amigos virtuais e, nem por isso, menos amigos. Aqueles que
conheço somente por e-mails. Amigos por correspondência eletrônica.
E
os muitos amigos de quem não tenho notícias, mas sei que estão atentos ao que
fazemos. Torcendo por nós. Amigos que nos apoiam.
Quanto,
do ano todo, reservei para o “não fazer nada”. Curtir a vida, jogar conversa
fora, dar asas à imaginação. Quanto desse tempo todo me permiti ser criança,
brincar, passear na chuva, andar descalço, aprender com os jovens, sonhar e ser
feliz.
Nunca
fui muito bom em contabilidade, mas não foi difícil lidar com esses valores.
Que não podem ser representados em colunas de débito e crédito, simplesmente.
Valores que, quando lançados no balanço da vida, não permitem conta de chegar.
Colocam-nos frente a frente com os resultados de nossas ações.
Abrir-se
para balanço, portanto, requer coragem para conhecer o saldo de nossas contas.
Pode exigir, também, humildade para rever e reconsiderar valores. Ou ainda,
disposição para enfrentar resultados negativos. O importante é não se
descuidar. Conservar os resultados favoráveis e ir à luta para melhorar os não
muito bons. Seguir em frente. Na busca incessante por lucros reais em todos os
períodos fiscais de nossas vidas.
Feliz
Ano Novo!
ayrtoncor@globo.com
30/12/2013

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