SOBRE
VIVENTES DE JANDIRA, EM TRÊS ATOS
Autor: Ayrton Corrêa
1º Ato – O Sonho
Nas
gavetas de nossos corações, saudade amarelada pelo tempo.
Vez ou outra se manifesta em silêncio e vem fazer
parte de um cair de tarde, de um início de noite ou de um pedaço de nossa
madrugada. Fere de leve, provoca emoções e puxa para nosso rosto aquela lágrima
contida e que teima em não aparecer.
Nossos pensamentos correm soltos, em visita a
lugares, pessoas e causos que um dia fizeram parte de nossas vidas. Olhamos
pela janela do tempo e um filme de recordações se projeta na tela de nossas
lembranças.
São momentos deliciosos a que nos permitimos
desfrutar, sem perdermos, no entanto, a consciência de que a realidade
insistente e às vezes inconvenientemente nos chama de volta.
A cidade não é mais a mesma, aliás, nem poderia ser.
O progresso avançou sem pedir licença. Jogou, para debaixo do tapete da
modernidade, os traços que poderiam nos remeter a outros tempos. Escondeu, das
novas gerações, quaisquer indícios que pudessem lhes dar uma vaga ideia de como
era a cidade de seus pais, de seus avós.
As ruas esburacadas, ora empoeiradas ora enlameadas,
ganharam asfalto. A escuridão, antes quebrada pelo pisca-pisca dos vagalumes ou
pela luz encantadoramente azulada da lua, foi substituída pela iluminação elétrica.
Nas casas, não mais chaminés, porque não mais fogão a lenha. As cercas de
taquara foram substituídas pelos altos muros e os portões de ripas trançadas
perderam lugar para os pesados e metálicos portões.
Impossível avistar o quintal do vizinho. Os amigos
agora estão separados por barreiras físicas intransponíveis. As crianças já não
brincam nas ruas. Pega-pega, passa-anel, amarelinha, esconde-esconde, bolinha
de gude e pula corda são algumas das brincadeiras que, aos poucos, vão caindo
no esquecimento.
Saber sobre nossa cidade, apenas nos bancos
escolares. Apenas informações sobre área, população, densidade, altitude, clima
localização, população, e dados econômicos, por exemplo.
Mas nossa cidade é só isso? Um pedaço de terra
localizado em algum lugar desse nosso imenso Brasil? A história termina aí?
Não, nada disso. Seus moradores, aqueles que deram
vida a esse pedaço de terra, têm muito mais para contar. Afinal, fazem parte de
sua história, ou melhor, fizeram e continuam fazendo a história da cidade. Às
vezes até tentam contar um pouco do que sabem. Às vezes até fazem algumas
anotações em uma espécie de diário, por exemplo, na esperança de que um dia
alguém, um filho, um neto ou bisneto, tenham a curiosidade de lê-las.
E se essas anotações ou memórias fossem contadas em
um livro, já pensaram nisso? Com certeza, muitos de nós já sonhamos com essa
oportunidade, mas, ao mesmo tempo, deixamos esse sonho de lado, por
considerá-lo inatingível.
*
2º Ato – O Show
“Em
cantando Jandira”. Esse o nome do espetáculo que, no dia 24/11/2013, reuniu
músicos da região e que tinha como propósito angariar fundos para a publicação
do livro “Sobre viventes de Jandira”.
Título sonoro para uma obra que, reunindo cinquenta
autores, pretendia publicar as histórias, até então arquivadas nas lembranças e
nas anotações cuidadosamente guardadas no fundo das gavetas.
As pessoas, muitas delas autoras dos brilhantes e
comoventes textos que ocupariam as páginas do tão desejado livro, chegavam aos
poucos e, logo na entrada, demonstravam surpresas com a organização da festa. Não
sem motivo. A começar pela decoração, passando pela recepção impecável e se
completando, no interior do salão, com um espetáculo de luzes, somado à
parafernália eletrônica que ocupava parte do palco, onde se apresentariam os
artistas de Jandira e região.
Começava ali, para nós autores, a visão material do
que até então conhecíamos apenas virtualmente, nas intensas trocas de
correspondências pelo Facebook, ora em mensagens abertas, ora inbox, quando o
assunto era um pouco mais delicado ou requeria atenção particularmente
especial.
“Em cantando Jandira”, seguramente ficará na memória
de todos aqueles que puderam estar presentes, tanto dos que ocupavam a plateia
quanto, e principalmente, dos que pisaram o palco para, brilhantemente, mostrar
um pouco de seu talento musical.
Se alguém ainda tinha dúvida de que um dia sua
história seria publicada em livro, naquele domingo toda incerteza definitivamente
desapareceu.
*
3º Ato – O Livro
Evidente
que não vamos, em um espaço tão reduzido, conseguir a proeza de contar como
saímos de um sonho inicialmente considerado inalcançável e chegamos à
maravilhosa realidade de vermos esse sonho materializado na forma de um livro;
de uma verdadeira obra de arte.
Só quem participou ativamente do processo de
produção seria competente o suficiente para nos dar a exata dimensão das
dificuldades que heroicamente conseguiram superar.
Sabemos, de ouvir dizer e, até porque já lemos
alguma coisa a respeito de edição de livros, que todo esse processo demanda
horas e horas de trabalho e entrega quase que integral, até que o produto final
seja alcançado.
Exige sacrifícios de toda a equipe que, em grande
parte das vezes, se priva da convivência com seus familiares e amigos, na luta
diária para o cumprimento de cronogramas apertados e de compromissos assumidos
com terceiros.
Mas é possível, sim, falar um pouco do que pudemos
conhecer através das informações postadas pelos autores, organizadores e
colaboradores, nos grupos formados nas redes sociais.
Como dissemos lá no início, existia uma vontade
latente e, ocasionalmente até manifestada, de que um pouco de nossas histórias
pudesse, de alguma maneira, chegar ao conhecimento de gerações futuras.
Mas nossas histórias continuavam lá, em nossa
memória ou cuidadosamente guardadas nas páginas amareladas de nossas anotações,
aguardando o momento certo para que pudessem ser reveladas ao mundo.
E finalmente esse momento chegou. Provavelmente
inspirada em um reencontro de amigos, é sugerida, então, a produção de um livro
com a publicação dessas histórias.
A sugestão começou a ganhar corpo e a entusiasmar a
todos os que dela tomavam conhecimento, animando a formação de uma equipe de
trabalho, coordenada pelo Filastor, aliás, autor da ideia, que propôs, também,
que o lançamento do livro fosse feito em data próxima a 08/12/2013, comemoração
dos cinquenta anos da emancipação da cidade, portanto, dali a mais ou menos
quatro meses.
Proposto e realizado. No dia 15/12/2013, o
lançamento do livro “Sobre viventes de Jandira” reuniu autores, familiares e
amigos, em uma festa inesquecível, digna de verdadeiros escritores.
Citar o nome de todos que, direta ou indiretamente,
contribuíram para o sucesso desse empreendimento seria, no mínimo, imprudência
de minha parte. Sem dúvida alguma, tantos foram os colaboradores que eu
correria o risco imperdoável de omissões por esquecimento.
Portanto, quero concluir apenas parabenizando. Parabéns
a todos nós, porque sonhamos. Aos amigos, equipe de trabalho e colaboradores,
porque acreditaram nesse nosso sonho e ao Filastor Brega, porque não apenas
sonhou, mas, com muita dedicação e sabedoria, coordenou o árduo trabalho que
possibilitou a transformação desse nosso sonho em realidade.
ayrtoncor@globo.com
26/12/2013

Muito obrigado Ayrton Por todo o apoio e grande força ao projeto da existência desse livro!. Sua presença foi fundamental.
ResponderExcluirObrigado de coração
Filastor