A cadeira de balanço convida ao desfrute da tarde
sonolenta.
Do fogão de lenha, o cheiro gostoso do feijão com torresmo. Dona
Zefa enxuga as mãos no avental. Apóia os cabelos grisalhos na almofada e olha
distante. A estaçãozinha abandonada, perdida no meio do mato, retribui seu
olhar. Parece pedir socorro. Dona Zefa firma os olhos e apura os ouvidos. Não,
é apenas impressão. Onde já se viu estação falar!
A fila na bilheteria avança pelo pátio. O porteiro
picota freneticamente as passagens de papel cartão colorido. Confere os passes
livres.
No bar da estação, os últimos pedidos atendidos às
pressas. O cafezinho fumegante desce queimando, com sabor de saudade. Do
escritório, o empregado se apressa em aprontar a licença para o maquinista.
O trem aponta na curva e a plataforma se agita. As
pessoas vão de um lado para outro, carregando sua bagagem de mão. Os pais
buscam seus filhos para o embarque. Lágrimas na partida. Alegrias na chegada.
Por alguns minutos, o trem de passageiro encobre o cargueiro parado na outra
plataforma. É sempre assim. O movimento acelerado da ferrovia dá vida ao
lugarejo. Lugarejo que nasceu em volta da estação ferroviária.
Todos a bordo. O chefe de trem sopra forte o apito. O
som estridente chega aos ouvidos do maquinista. Chega, também, aos ouvidos de
dona Zefa que desperta assustada. Olha para a estaçãozinha à sua frente.
Abandonada. Perdida no meio do mato.

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