RIO BRANCO
FUTEBOL DE SALÃO
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ão que faltasse o que fazer. Muito pelo contrário. Havia
os bailinhos, o futebol de campo, as quermesses, as matinês e, ainda, as
pescarias lá pelos lados de Santana do Parnaíba, Laranjal Paulista e Ibiúna.
Mas para a inquietude jovem, não bastava. Sobrava um pouco de tempo livre e ele
tinha que ser ocupado de alguma maneira.
Nos
finais de semana, as reuniões na casa da dona Luci Braga faziam parte da
programação. Era como um clube social. Truco, dominó, pingue-pongue, batucada e
muito bate-papo.
Numa
dessas reuniões entre amigos surgiu a ideia da formação de um time de futebol
de salão. Na Vila não havia a prática desse esporte. Cada um de nós jogava em
outros lugares. Na escola, na empresa ou em clubes. Pensamos, então, em formar
nosso próprio time e, quem sabe, se a ideia vingasse, um clube de futebol de
salão no Bairro.
Do
projeto para a prática foi questão de não mais que uma semana. Era assim mesmo.
As ideias dificilmente ficavam guardadas por muito tempo. E, no dia 7 de
novembro de 1976, a Vila contava com um time de futebol de salão, embora ainda
ninguém soubesse disso.
Os
trabalhos iniciais ficaram a cargo de um pequeno grupo. Foram confeccionados
cartazes com a frase “Rio Branco vem aí” e colados, de madrugada, pelo Bairro
todo. Isso, pelo menos dez dias antes da data marcada para a estreia do time.
Foi
interessante acompanhar a especulação dos moradores a respeito dos cartazes.
Não sabiam do que se tratava. Diziam que era um supermercado, uma padaria, um
loteamento, uma farmácia. Apostavam em um estabelecimento comercial. Não
imaginavam que pudesse ser um time de futebol, criado por meia dúzia de malucos
que queriam preencher o tempo.
Dois
ou três dias antes da estreia, foram distribuídos cartazes com informações mais
detalhadas. Esclarecendo o mistério. Neles estava anunciada a primeira
apresentação da equipe. “Vem aí o Rio Branco Futebol de Salão. Prestigiem. Não
percam o grande jogo de sábado à noite!”. Esse era mais ou menos o texto
divulgado. Quebrado o segredo, nossas equipes passaram a fazer a divulgação de
forma mais intensa. O time ganhou até uma torcida feminina, organizada para
acompanhá-lo nas quadras e ajudá-lo na promoção de seus jogos.
Dois
quadros, primeiro e segundo, como à época se apresentavam os times. O nome foi
escolhido em uma reunião dos organizadores. Dentre muitas sugestões, prevaleceu
a de Rio Branco Futebol de Salão. A casa em que a ideia nascera ficava na rua
Rio Branco, 27. Hoje, José Luiz Braga Filho. Aliás, a casa ainda existe.
Doze,
o número de atletas. A entrada de um novo participante somente poderia
acontecer no lugar de alguém que deixasse a equipe.
O
ambiente de camaradagem que se percebia no grupo fez com que, em pouco tempo, o
time se tornasse sucesso na Vila, chegando a ter lista de espera por uma vaga.
Uniforme
bordô e branco. Aparecia bonito nas fotos. Ganhava colorido especial sob as
luzes dos refletores. Dava brilho aos atletas.
E,
quase tão rápido como surgiu, o Rio Branco Futebol de Salão saiu de cena para a
história do Jardim Portela. Permaneceu em atividade por mais ou menos um ano,
se muito. Mas deixou lembranças. Registrados em uma foto, alguns dos atletas
que fizeram parte da equipe. João Barriga (João Ednaldo Corrêa Lima) – Jacaré
(José Barbosa) – Abatiá – Ayrton (Ayrton Corrêa) – Walter (Walter Braga) –
Pedrinho (Pedro Virgílio Corrêa Filho) – James (Antonio James Pinheiro) –
Batista (João Batista Vieira) – Betão (Carlos Roberto Gomes) – Lázaro (Lázaro
Paiva) – Luizinho (Luis Braga) e Lucas.
Publicado em
27/3/2004
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br


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