ESTOU COMPLETANDO SESSENTA
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tempo
passa rápido. Parece que foi ontem. A jornada já vai pela casa dos sessenta.
Ainda que a experiência contribua bastante para tornar as coisas menos
difíceis, não podemos nos esquecer que o tempo passou.
No
começo, ainda inseguro, cada passo é uma novidade. Cada passo é minuciosamente
calculado. Com o medo, nem sempre na dose certa, interferindo em cada ação.
A
preocupação em fazer certo e a falta de habilidade, juntos, dificultam a
conclusão do que pretendemos fazer. Prestamos muita atenção nos outros, à
procura de um modelo a seguir. Um exemplo que nos dê um pouco de
segurança, até nos firmarmos em nosso próprio estilo.
Existe
uma preocupação, quase sempre exagerada, com o que possam pensar de nós. Como
avaliam e julgam nossos resultados. Um medo tão grande das críticas, que quase
nos impede de ir em frente.
E
aí vem o apoio. O outro lado da moeda. O empurrão necessário. Que não nos deixa
desistir. O incentivo. O elogio. E, entre erros e acertos, seguimos
nosso caminho. Vamos, aos poucos, aprendendo a dar nossos próprios passos.
No
meio da jornada já temos uma coleção razoável de conceitos e valores adquiridos
ao longo do tempo. Não temos ainda, com certeza, conhecimento suficiente para
uma boa escolha. Fazemos e refazemos diversas vezes a mesma coisa. Buscamos uma
forma que ainda não sabemos muito bem qual é. Deixamos de lado boa parte do que
começamos. Algumas, eliminamos de vez. Outras, guardamos para rever
mais tarde. Estamos buscando, de forma mais consistente, nosso próprio caminho.
Nosso meio próprio de sobrevivência.
Mas
o tempo passa. A maturidade, a experiência, os conselhos, as críticas e
sugestões fazem, agora, parte da nossa bagagem. Passam a ser vistos com mais
carinho. Analisados, escolhidos e considerados como importantes para nosso
desenvolvimento. Tudo parece ficar menos difícil. E vem o medo de ficar
automático demais. De fazer pelo fazer. E esse medo nos ajuda a colocar os pés
no chão. A lembrar de que a vida é um aprendizado constante. Que, em momentos
de distração, pensamos que sabemos.
E
foi assim. Confesso que comecei por brincadeira. Para preencher um pouco de
tempo. Escrevendo sobre dois assuntos que marcaram muito minha infância: os
jogos de futebol nos campos que existiam na cidade e as matinês do Cine São
Manoel, o velho e bom Cinema do Pereira.
Publicados,
agradaram aos amigos. Sem nenhuma crítica que pudesse me desencorajar, resolvi
continuar. Falar de assuntos como festas de fim de ano, quermesses, tempos de
colégio, festas juninas, barbearia da praça e olarias, por exemplo. Faltava
apenas o mais importante. Um espaço para publicar regularmente os futuros
artigos.
Aí,
mais um incentivo. Ganhei uma coluna no Jornal da Gente. Deixaram até que eu
mesmo escolhesse o nome do espaço de minhas crônicas: “Contando Histórias”. Foi
mais que um incentivo. Foi um verdadeiro presente.
Com
alguns temas na cabeça, faltava apenas pôr a mão na massa. Calculei que teria
assunto para umas poucas edições. Dez, se muito.
Hoje,
no entanto, estou publicando minha crônica de número sessenta. São sessenta
artigos contando “causos”. Falando da nossa cidade.
O
tempo passa rápido. Parece que foi ontem.
Publicado em 13/11/2004

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