Vinha, não sei bem de onde. Do interior, diziam
Embalando sono presente, acalentando sonhos futuros
Na plataforma, o corre-corre à sua chegada
No bar da estação, o café pela metade, sem tempo
Seguia acelerado, por caminhos repetidos
Pontual, acertando relógios na passagem
Tinha pressa e destino; esperavam por ele
No vidro suado, a marca do frio, começo de inverno
Sons diferentes davam conta dos lugares passantes:
Um túnel, uma ponte, a planície, o muro de arrimo, e a pequena
estação, que não merecia parada
Aqui e acolá, despejando e recolhendo gente.
Feliz, até que, de repente, impedem-lhe os movimentos
Não mais sono presente, não mais sonhos futuros
Deserto; mato fechado sobre caminhos repetidos
Nos trilhos do desvio, não tem para onde ir
Solidão
Solidão
Deixou saudades por onde andou; o túnel, a ponte,
Agora, implacável, a ferrugem lhe consome a alma
O lamento de seus freios marca o fim da viagem
Silêncio... O triste adeus de quem não queria parar.




Tu sabes usar as palavras certas de uma forma que conseguimos viver o momento. Viajei, sonhei e ao mesmo tempo me senti triste por não ter tido a oportunidade de viver esses momentos.Ana Glória
ResponderExcluirAna Glória tem razão...revivi minhas viagens de longo percurso ...
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