No tempo da ferrovia, eram comuns as festas comemorativas. Tanto as de freqüência obrigatórias, quanto aquelas em que íamos de livre e espontânea vontade.
Obrigatórias, as que serviam para comemorar aniversários de ocupantes de cargos de chefia, alguns nem sempre muito queridos pelos subordinados, e que eram organizadas meio que por obrigação. Os convidados (intimados) para essas festas, se tivessem juízo, não deixavam de comparecer.
Entre as espontâneas, merecem destaque as organizadas para comemorar aniversário de colegas de trabalho e que, em sua maioria, não eram chefes. Embora, aqui, o comparecimento, em algumas vezes, atendia, apenas, a obrigações sociais.
As mais importantes, no entanto, eram as realizadas fora do ambiente de trabalho, normalmente em comemoração de aniversários ou, até, sem nenhum motivo, que não fosse pelo prazer de reunir os amigos.E essas eram especiais. Especiais pela liberdade de escolha. Os convites eram dirigidos aos amigos que faziam muita falta se, por algum motivo, não comparecessem. Amigos com quem tínhamos enorme prazer em dividir uma mesa e com quem o bate-papo fluía tão deliciosamente, que as horas passavam voando.
Entre essas, e principalmente, as festas de aniversário de nossas crianças deixaram muita saudade. Foram se escasseando com o passar do tempo, com o crescimento dos nossos filhos. E, junto com essas festas, se foram os motivos para as reniões de amigos. Se foram as oportunidades, obrigatórias ou não, do encontro com pessoas queridas, das quais, hoje, muito raramente temos notícias.

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