Advertência: Se você é muito nervoso(a), não leia sozinho(a) e nem em lugar de pouca luz.
Em cartaz, um dos filmes do Zé do Caixão.
Naquela sexta-feira, o grupo de meninos pegou o dinheiro juntado na semana e foi para a fila da bilheteria. A seção começava às nove da noite e acabava por volta das onze e meia. Do alto do morro do Jardim Portela, avistava-se a tênue luz que se esforçava para atravessar a cerração daquela noite fria e, da cidade, destacava-se o breu que envolvia os vilarejos vizinhos.
Quase meia-noite, impressionados com o filme que acabaram de assistir, os meninos voltavam para suas casas, andando quase que agarrados uns aos outros, pela trilha em meio ao mato fechado, juntando forças para vencer o medo da escuridão. De repente, atrás deles, o farfalhar das folhas impeliu-os a se voltarem. A alguns metros, envolto na neblina, um vulto vestido de branco flutuava no ar. Petrificados, olhavam para aquele espectro em seu bailado macabro.
Então era verdade o que contavam. Naqueles caminhos vagava a alma de uma linda moça que, abandonada à porta da igreja, no dia do casamento, resolvera acabar com a própria vida.
Num esforço sobre-humano conseguiram se mover e, em desabalada carreira, alcançaram a casa de um deles. Recuperavam o fôlego, quando, na curva da ruazinha, apontou o vulto de branco. Em silêncio e escondidos, observaram sua passagem. Montado em sua mula preta, o caseiro da chácara vizinha cavalgava tranqüilo, protegendo-se do frio, com um saco de pano branco sobre a cabeça.
Brrrrrrrrrrrrrrrrrr! Que medo! Lembro que não subia nunca sozinho! Eu heim! Mulher de branco, Zé do caixão...! Meia noite....!
ResponderExcluirPedrinho