Jardim Portela, prestemos uma pequena homenagem.
Por favor, cesse todo e qualquer ruído. Mas seja breve, pois o homenageado
na sua inquietude de menino e jeito alegre de levar a vida, com certeza não
aprovaria mais que um minuto de silêncio à sua volta.
Nosso amigo deixou saudades e lembranças. De
saudades não saberia falar, apenas senti-las, mas das lembranças até que
arrisco algumas linhas.
Quando ele chegou, o Jardim Portela era um arremedo
de vila, com pouco mais de meia dúzia de casas. Nossas famílias cresceram
juntas e, quando digo juntas, não exagero. Tudo naquele lugarejo era feito com
a participação de todos, dos poucos todos. Desde a construção de novas casas,
onde se buscava alguma ajuda do vizinho, até a procura por diversões, naquele
fim de mundo, como se dizia, com poucas alternativas.
Foi amigo do meu pai. Mais tarde, já adulto, tive o
privilégio de ser seu amigo também. Fomos colega de trabalho na Sorocabana.
Frequentamos os mesmos bares e os mesmos campos de futebol; jogamos malha
juntos e fizemos parte, em 1974, do grupo de fundadores do primeiro clube de
futebol organizado na vila: o Jardim Portela Esporte Clube, do qual ele assumiu
a presidência alguns meses após sua fundação, permanecendo até o fim do
primeiro mandato.
Lembro-me do seu Juju, como carinhosamente
era chamado pelos amigos, reunido com os demais frequentadores do único boteco
existente no lugarejo: o bar da escadaria. Pelos mais velhos, soube de seu
empenho, com os demais moradores, para a instalação da luz elétrica no bairro.
Sei, por ter assistido, de sua participação na busca de melhorias e opções de
laser para seus habitantes. Ele estava presente em tudo que fosse de interesse
social, por mais simples que a atividade aparentasse ser. Desde um torneio de
dominó ou truco, passando por prestigiar as duplas de violeiros que se
apresentavam no bar e os times formados para as peladas de fins de semana, até
a construção do campo de malha e a luta por um terreno para o campo de futebol
do clube, lá estava ele, colocando a mão na massa para que os projetos se
realizassem.
E, enquanto escrevo vou me dando conta da dimensão
da perda que sofremos. Do vazio que o seu Juventino deixa entre
nós. Da lembrança de seu andar elegante, aprumado, cabeça erguida, mãos nos
bolsos ou juntadas às costas e olhar atento, invariavelmente mirando alguns
passos à frente. Caminhar lento, de quem não tem pressa de chegar. Chegada
sempre muito aguardada pelos seus amigos; presença querida e indispensável em
todas as ocasiões.
Em algumas linhas, como disse, pretensiosamente arrisquei contar um pouco do muito que o seu Juventino Ferreira dos Santos representou para a vida do bairro, para nossas vidas e concluo repetindo meu apelo inicial:
Jardim Portela, um minuto de silêncio!

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