PATRIMÔNIO
HISTÓRICO
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ia desses, estava conversando com um amigo que, igual a
mim, está fora da cidade há muito tempo. Ele entende tanto quanto eu de
patrimônio histórico, ou seja, nada. Não faço ideia de quais os critérios ou
condições para que alguma coisa possa ser considerada patrimônio histórico.
Seja tombada. Não possa ser demolida, destruída ou modificada. Sei apenas que
peguei afeição a algumas edificações e lugares da minha cidade. Meu amigo
também.
Entre
gostar e preservar por força de lei vai uma grande distância. Mas especular a
respeito pode. E foi por aí que nossa conversa se enveredou. Começamos por
listar o que, no nosso ponto de vista, tem que ser preservado. Não pode, de
forma alguma, ser destruído. E nossas ideias são bem parecidas. Fizemos até um
projeto. Cada patrimônio teria uma função, lucrativa o suficiente para se
manter, para sua própria conservação, para não pesar nos impostos.
Assim,
teríamos museu, teatro, posto de saúde e escolas, por exemplo, ocupando e
mantendo imóveis que deram início à cidade. Nossos filhos e nossos netos
conheceriam suas histórias e a de seus moradores. Saberiam de suas utilizações
ao longo do tempo. Esses patrimônios seriam vistos como pontos de referência
dos bairros, da cidade e de seu povo.
Na
nossa ignorância, minha e de meu amigo, o projeto não parece impossível.
Afinal, não estamos falando em construir. Apenas em conservar o que já está
feito. A nossa intenção, podem crer, é das melhores. Queremos evitar que venham
abaixo, sob a ação de máquinas e do peso das marretas, lugares e construções
que frequentamos por boa parte de nossas vidas.
Faremos
um abaixo assinado e, junto com nossa lista, encaminharemos à Câmara, para
votação. Votação é modo de dizer. Para aprovação. Ninguém que goste um pouco da
cidade vai votar contra um projeto desses.
Antes
visitaremos, eu e meu amigo, todos os lugares que listamos. Vamos atualizar
seus endereços. Depois de tanto tempo, as ruas podem ter mudado de nome e até
mesmo os números podem ser outros. Queremos fazer tudo direitinho. Facilitar o
trabalho das pessoas que são responsáveis pela preservação da história de nossa
cidade.
Resolvemos
dar mais uma olhada na lista para ver se não esquecemos de nada. As igrejas,
todas; o Clube Vale do Sol; o Clube de Campo de Itapevi; a Fábrica de Pólvora;
o Paço Municipal, na subida da igreja; as Casas de Turma da ferrovia; a Casa do
Chefe da Estação; o Cine São Manoel; a Cerâmica do Parque Suburbano; a Casa
Paroquial, a Sede Social da Prefeitura; o Campo da Prefeitura; o Campo do
América; o Campo do CIPE; o Clube de Bocha; a Sede da CJC, o Frigorífico; a
Fábrica de Cimento Santa Rita; a Fábrica de Vinho Portela; o Salão do Aviador e
a Sede do América. Para começar, parece bom.
Satisfeitos,
nos despedimos. Não sem antes agendarmos nossos compromissos. No próximo final
de semana, combinamos, daremos um pulo a Itapevi. Uniremos o útil ao agradável.
Enquanto atualizamos endereços, aproveitamos para matar a saudade de todos
esses lugares.
Texto
publicado em 27/11/2004
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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