JARDIM
PORTELA, O BAIRRO E O CLUBE
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stamos no início dos anos 1970. O Bairro oferece muitas
opções de lazer para as crianças. Cada uma a seu tempo e gosto. É possível, por
exemplo, passar o dia todo nadando ou pescando no rio e nas lagoas dos
barreiros, correr atrás das boiadas que cruzam suas ruas de terra, brincar de
mocinho e bandido, fazer cabanas, balanças de cordas nos eucaliptos, fazer
cavernas nos barrancos à beira da estrada, ir às quermesses de São Judas Tadeu
e da Capela de Santo Antonio, assistir às matinês do Pereira, soltar papagaio,
jogar bolinha, rodar pião, frequentar a missa, estudar catecismo e ler gibis do
Cavaleiro Negro, Zorro e Flecha Ligeira.
As
diversões nos fins de semana, para a garotada já crescida, incluem jogos de
malha, bailinhos no porão da casa do Luisinho (Braga), na casa do Décio (irmão
do Dirceu), do Bimba (da Dona Tota), do Carlinhos (do Sargento) e na casa do
Geraldo (do seu Francisco) e as peladas no campinho perto da chácara do
japonês.
Futebol.
Muito futebol. No “campinho”, no “campão”, nas ruas e nos quintais. E o gosto
pelo futebol pedia um clube para a Vila. Um clube de verdade. Com registro e
sede social. Até que, no dia 15 de março de 1974, o pedido foi atendido.
“JARDIM
PORTELA ESPORTE CLUBE, registrado no Cartório do 2o Ofício de Cotia,
sob no 68, à página 37 do livro “A”, protocolado sob no 1142, à página 39, em
17 de maio de 1974, com sede provisória à Rua São Roque, 120, no Bairro do
Jardim Portela, nesta cidade de Itapevi.”
Moradores,
sócios e colaboradores começavam a dar sua contribuição para o desenvolvimento
da associação, conforme se pode ver, por exemplo, em trechos da ata de reunião
do dia 25 de maio de 1974:
“...a
pedido do Sr. Presidente, o Sr. Jurandir Salvarani passa a presidir a reunião,
fazendo a confirmação da entrega da carta à Câmara, pedindo a desapropriação de
uma área para a construção da sede social e campo de futebol..”.
“...o
Sr. Presidente faz a leitura da carta assinada pelo Sr. Ranulfo Bispo dos
Santos, a qual diz respeito ao torneio de dominó, sendo aparteado pelo Sr. Jurandir
Salvarani que se compromete a oferecer os prêmios aos vencedores...”
“...o
Sr Silas Manoel de Oliveira, valendo-se da oportunidade desenhou o distintivo
do Clube...”
A
rotina do Bairro se modificou. O Clube, agora, é o assunto de todos os dias.
Durante a semana, os comentários giram em torno da atuação do time de futebol
no jogo anterior ou sobre as expectativas para o próximo jogo. Às vésperas de
cada atividade social, como torneio de truco, dominó, dama ou futebol, o
movimento se intensifica e todos procuram dar sua contribuição. Faixas,
flâmulas, bandeiras e avisos na lousa do bar ou da sede social passaram a fazer
parte do dia a dia da Vila.
Se
antes, os jogos de final de semana no “campinho” reuniam apenas os que jogavam,
agora o Clube consegue envolver quase toda a população do Bairro. Uns
participando dos jogos, outros cuidando da organização e divulgação dos eventos,
outros criticando os trabalhos da diretoria, alguns torcendo contra e muitos
marcando presença como colaboradores e torcedores. Há, enfim, espaço para
todos.
A
Associação cumpre o seu papel de aproximar cada vez mais os moradores do
Portela e está sempre de portas abertas para receber um visitante ou morador recém-chegado,
integrando-o mais fácil e rapidamente à comunidade.
Nossos
atletas, a maioria do próprio Bairro, defendem as cores de um time que começa a
ganhar a simpatia de todos e frequentam sua sede social. Com isso, ficam mais
tempo perto de suas casas, pois, no Portela, já é possível encontrar a diversão
que antes iam buscar nos bairros vizinhos.
Estamos
no início dos anos 1970.
Texto
publicado em 22/10/2005
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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