ENCONTRO,
PRA QUÊ?
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ma vez, conversando com um amigo dos tempos do colégio,
eu comentei a ideia de um encontro com os formandos do ano de 74. “Pra quê? Vivemos dando trombadas pelas feiras, comércio e ruas da cidade”. Rebateu ele
de pronto. Não achei que tivesse razão, mas fiquei quieto.
Há
poucos dias tive a grata felicidade de rever o Osmar, um outro amigo daqueles
tempos. Amigo que não via há quase trinta anos. Amigo dos melhores. Que fazia
parte da turma. Do dia a dia. Daqueles que só os diferentes rumos que tomamos
na vida conseguem separar. Daqueles que, com a tão “manjada” desculpa de falta
de tempo, perdemos de vista. E, quando os reencontramos, lamentamos o tempo
perdido.
Pois
bem, falamos de tudo um pouco. Com pressa. Ele trabalhando e eu preocupado com
os horários a cumprir. Ou vocês pensam que aposentado não tem horários? Falamos
quase que os dois ao mesmo tempo.
Afinal, estávamos colocando em dia os assuntos acumulados em mais de um
quarto de século.
Falamos
das nossas famílias. Das coisas que fizemos durante esse tempo. Das escolas dos
filhos. Dos amigos de colégio. Dos estudos, na casa do Irineu Chaluppe, para as
provas periódicas. Lembrei como ele era craque em matemática. Ensinava todo
mundo!
E a
conversa seguia por esse rumo. Na maioria das vezes, eu perguntando e ele
respondendo. Sabe onde estão quase todos os nossos amigos. A maioria continua
na cidade. Empresários, bancários, comerciantes, funcionários públicos,
políticos.
Sabe
dos professores. Até daqueles de quem eu nem me lembrava. Por exemplo, não me
lembro de ter tido aulas de artes. Ele me disse que até redes e tarrafas aprendemos
a fazer. Acho que “cabulei” (conhecem esse termo?) todas essas aulas.
Contou-me
que chegou a visitar o colégio. Para matar saudade. Ainda bem. Não sou o único
a sentir saudades do “velho” e bom Colégio Estadual de Itapevi (CEI).
Que,
como eu, não participou da festa de formatura. Que também não tem fotos do
pessoal. Lembramos da Rural Willys do Irineu. Dos colegas de classe que moravam
no Sagrado Coração e Jardim Silveira. Sabe o nome de cada um deles. Memória de
elefante tem esse meu amigo português! Ah! Ele não tem notícias do Bico. Por
onde andará o Bico?
Chegou
a hora de nos despedirmos. Deixei para trás a loja à beira da estrada de Amador
Bueno. Com muito mais ainda a conversar. Quem sabe, num outro dia.
Feliz
com o encontro, esqueci de lhe falar sobre a ideia de reunir o pessoal daquela
época. Pensando bem, foi melhor assim. Afinal, pelo que pude perceber, a
maioria continua mesmo na cidade. Encontrando-se a todo o momento. Como diria
aquele meu amigo: “Vivem dando trombadas pelas feiras, comércio e ruas da
cidade”.
Agora
vejo que ele tinha razão. Encontro, pra quê?
Publicado em
22/3/2003
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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