quarta-feira, 24 de julho de 2019


ITAPEVI, PEDRA PRECIOSA



I
tapevi, lá no seu começo, já foi chamada de “a cidade dos telhados novos”. Telhados das casas que começavam a ser construídas em grande número. Faz sentido, pensei.
Por algum tempo, também, foi conhecida como “cidade das rosas”, embora difícil encontrar uma casa que tivesse, ainda que minguado, um pé de rosas em seu jardim. Que eu me lembre, nem na praça principal essas flores davam o ar da graça. Cidade das rosas. Talvez uma referência à Roselândia.
          Dia desses, li em algum lugar a seguinte frase: “Itapevi, cidade esperança”. Cidade es-pe-ran-ça, repeti com meus botões, tentando entender seu significado. Uma cidade que espera. Será que é isso que quiseram dizer quando criaram esse slogan?
        Esperança significa esperar o que se deseja. Não é assim que vejo minha cidade. Não me parece muito bom ficar sempre à espera. Sabe aquele ditado, quem espera sempre alcança? Quem será que inventou isso? E com que propósito? Não seria mais interessante dizer que quem persiste sempre alcança? Sei lá.
         Rebuscando mais lá no passado, segundo historiadores, o nome da cidade tem origem no idioma tupi-guarani e significa “pedra chata e lisa”. Dessa forma: Ita significa pedra, enquanto pevi é traduzido como chata e lisa.
        Para mim, outro mistério. Eu cresci andando por todos os cantos da cidade. Explorei todos os seus matos, rios, vales e montanhas. Salvo distração ou incompetência para reconhecimento, não me lembro de, em algum momento, ter dado de cara com a tal pedra. Por onde andaria a tão famosa pedra chata e lisa que um belo dia teve a honra de servir de inspiração para o batismo da nossa Itapevi?
       Depois de tudo isso, resolvi, por conta própria, dar o meu palpite para o nome da cidade. Defender minha própria teoria a respeito do assunto. Embasada em fatos reais, embora correndo o risco de alguém dizer que não são tão reais assim. 
        Pois bem, se a tal pedra era tão difícil de ser encontrada, deve ter sido muito importante para os índios da região. Sendo provável, até, que era útil na confecção de pequenas armas, ferramentas e utensílios domésticos. Pode ser, mesmo, que serviu como moeda de troca e imagino, ainda, que por ser diferente, suas lascas davam bonitos colares e finos presentes. Isso apenas para falar de algumas de suas muitas possíveis utilidades. Sem dúvida, deve ter sido uma pedra muito importante.
      Então, se não era encontrada com facilidade, podemos dizer que era rara e, por consequência, muito cobiçada. Concluir, daí, que estamos falando de uma pedra de grande valor é apenas uma questão de lógica. E mais lógico, ainda, é afirmarmos que por todas essas qualidades estamos falando de uma pedra preciosa. Isso mesmo, pre-ci-o-sa.
         Portanto, minha teoria não me deixa dúvidas. Pedra preciosa, tenho certeza, é o que melhor representa o nome da cidade.
        Também, com certeza, como pedra preciosa nossa cidade merece atenção especial. Deve ser protegida, admirada, tratada com carinho, exibida com orgulho, dignamente representada e, acima de tudo, muito querida. Afinal, repito, estamos falando de algo extremamente valioso.
           E as duas frases me vieram novamente à cabeça. Não pude deixar de compará-las. Itapevi, cidade esperança. Itapevi, pedra preciosa. Eu, particularmente, fico com a segunda.
Texto publicado em 12/3/2005

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