ITAPEVI,
PEDRA PRECIOSA
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I
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tapevi, lá no seu começo, já foi chamada de “a cidade dos
telhados novos”. Telhados das casas que começavam a ser construídas em grande
número. Faz sentido, pensei.
Por
algum tempo, também, foi conhecida como “cidade das rosas”, embora difícil
encontrar uma casa que tivesse, ainda que minguado, um pé de rosas em seu
jardim. Que eu me lembre, nem na praça principal essas flores davam o ar da
graça. Cidade das rosas. Talvez uma referência à Roselândia.
Dia
desses, li em algum lugar a seguinte frase: “Itapevi, cidade esperança”. Cidade
es-pe-ran-ça, repeti com meus botões, tentando entender seu significado. Uma
cidade que espera. Será que é isso que quiseram dizer quando criaram esse
slogan?
Esperança
significa esperar o que se deseja. Não é assim que vejo minha cidade. Não me
parece muito bom ficar sempre à espera. Sabe aquele ditado, quem espera sempre
alcança? Quem será que inventou isso? E com que propósito? Não seria mais
interessante dizer que quem persiste sempre alcança? Sei lá.
Rebuscando
mais lá no passado, segundo historiadores, o nome da cidade tem origem no
idioma tupi-guarani e significa “pedra chata e lisa”. Dessa forma: Ita
significa pedra, enquanto pevi é traduzido como chata e lisa.
Para
mim, outro mistério. Eu cresci andando por todos os cantos da cidade. Explorei
todos os seus matos, rios, vales e montanhas. Salvo distração ou incompetência
para reconhecimento, não me lembro de, em algum momento, ter dado de cara com a
tal pedra. Por onde andaria a tão famosa pedra chata e lisa que um belo dia
teve a honra de servir de inspiração para o batismo da nossa Itapevi?
Depois
de tudo isso, resolvi, por conta própria, dar o meu palpite para o nome da
cidade. Defender minha própria teoria a respeito do assunto. Embasada em fatos
reais, embora correndo o risco de alguém dizer que não são tão reais assim.
Pois
bem, se a tal pedra era tão difícil de ser encontrada, deve ter sido muito
importante para os índios da região. Sendo provável, até, que era útil na
confecção de pequenas armas, ferramentas e utensílios domésticos. Pode ser,
mesmo, que serviu como moeda de troca e imagino, ainda, que por ser diferente,
suas lascas davam bonitos colares e finos presentes. Isso apenas para falar de
algumas de suas muitas possíveis utilidades. Sem dúvida, deve ter sido uma
pedra muito importante.
Então,
se não era encontrada com facilidade, podemos dizer que era rara e, por consequência,
muito cobiçada. Concluir, daí, que estamos falando de uma pedra de grande valor
é apenas uma questão de lógica. E mais lógico, ainda, é afirmarmos que por
todas essas qualidades estamos falando de uma pedra preciosa. Isso mesmo,
pre-ci-o-sa.
Portanto,
minha teoria não me deixa dúvidas. Pedra preciosa, tenho certeza, é o que
melhor representa o nome da cidade.
Também,
com certeza, como pedra preciosa nossa cidade merece atenção especial. Deve ser
protegida, admirada, tratada com carinho, exibida com orgulho, dignamente
representada e, acima de tudo, muito querida. Afinal, repito, estamos
falando de algo extremamente valioso.
E
as duas frases me vieram novamente à cabeça. Não pude deixar de compará-las.
Itapevi, cidade esperança. Itapevi, pedra preciosa. Eu, particularmente, fico
com a segunda.
Texto
publicado em 12/3/2005
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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