quinta-feira, 2 de janeiro de 2020


TUDO ESTÁ SOB CONTROLE

E
mbora eu prefira escrever sobre coisas antigas, coisas do passado, a indignação me levou a me “meter de pato a ganso” para falar um pouco do presente, na esperança de que esses acontecimentos se transformem, muito em breve, em apenas desagradáveis lembranças.
Acordamos com as notícias do dia a dia, ou melhor, com as mesmas notícias do dia a dia. As redações, com certeza, têm pouco trabalho na preparação da pauta. Um retoque aqui, uma troca de palavra acolá, atualização da data e o noticiário está pronto para ser veiculado.
Nós, também, estamos prontos para receber as “novas”. Às primeiras linhas e já antecipamos o meio e o final da história.
Pouco ou quase nada muda. As enchentes enchem sempre os mesmos lugares. Os assaltos acontecem a qualquer hora e com a mesma rotina. Os caixas eletrônicos já não são mais arrombados. São explodidos ou levados embora. Bolsas e celulares viraram mercadoria preferida dos assaltantes. Armas de todos os tipos e dos mais variados calibres são apontadas para a cara da vítima, que, quando ileso, dá graças a Deus por ter sido apenas assaltada. Imaginem, “apenas assaltada”!
Manifestações por todas as causas e, na maioria das vezes, sem causa alguma, aproveitam a deixa para destruir o que e quem encontrar pela frente. Incêndios proliferam pela cidade, consumindo carros, ônibus, caminhões e viaturas oficiais.
Rojões, coquetéis Molotov, pedras, barras de ferro e toda e qualquer sorte de artefatos que possam causar danos, se fazem presentes na turba ensandecida, remunerada ou não, incitada por apelos e palavras de ordem, a serviço, seguramente, de interesses de terceiros.
Matar por matar passou a ser a tônica que dá status ao bandido, que, para escapar mais facilmente das garras rombudas da justiça, na hora do golpe de misericórdia passa a arma para as mãos de um “di menor”. Desnecessário, porque, no final, todos escapam.
O transporte público, apinhado de gente a qualquer hora do dia e da noite, transforma-se em campo fértil para os maníacos sexuais que investem contra suas presas indefesas, sujeitas às ações doentias e nojentas desses depravados.
E aí vêm nossos dirigentes para a frente de uma câmera de televisão ou dos microfones de rádio para tranquilizar a população. “Não é bem assim, existe certo exagero por parte da imprensa. As estatísticas mostram diminuição no índice de violência em nossas cidades. A polícia está na rua, garantindo a segurança do cidadão. Nós estamos atentos a tudo que está acontecendo e temos o controle total da situação, com monitoramento ininterrupto dos acontecimentos.”
Não bate. Sinceramente esse discurso não bate com o que vemos pelas ruas e nos noticiários “exagerados” de nossa imprensa. 
Sensibilizar-se, monitorar, estar atento e fazer estatísticas não bastam. Está além da hora de esses senhores saírem da engorda e colocar a mão na massa. O tempo que gastam para aparecer na mídia poderia ser mais bem aproveitado, por exemplo, no desembaraço de projetos de lei que, seguramente, muitos benefícios trariam à população.
Pronto, falei. Agora vou voltar ao passado.
Texto publicado em 20/3/2017

Texto do livro "Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em clubedeautores.com.br 

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