TUDO ESTÁ
SOB CONTROLE
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E
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mbora eu prefira
escrever sobre coisas antigas, coisas do passado, a indignação me levou a me
“meter de pato a ganso” para falar um pouco do presente, na esperança de que
esses acontecimentos se transformem, muito em breve, em apenas desagradáveis
lembranças.
Acordamos com as notícias do dia a dia, ou melhor,
com as mesmas notícias do dia a dia. As redações, com certeza, têm pouco
trabalho na preparação da pauta. Um retoque aqui, uma troca de palavra acolá,
atualização da data e o noticiário está pronto para ser veiculado.
Nós, também, estamos prontos para receber as
“novas”. Às primeiras linhas e já antecipamos o meio e o final da história.
Pouco ou quase nada muda. As enchentes enchem
sempre os mesmos lugares. Os assaltos acontecem a qualquer hora e com a mesma
rotina. Os caixas eletrônicos já não são mais arrombados. São explodidos ou
levados embora. Bolsas e celulares viraram mercadoria preferida dos
assaltantes. Armas de todos os tipos e dos mais variados calibres são apontadas
para a cara da vítima, que, quando ileso, dá graças a Deus por ter sido apenas
assaltada. Imaginem, “apenas assaltada”!
Manifestações por todas as causas e, na maioria das
vezes, sem causa alguma, aproveitam a deixa para destruir o que e quem
encontrar pela frente. Incêndios proliferam pela cidade, consumindo carros,
ônibus, caminhões e viaturas oficiais.
Rojões, coquetéis Molotov, pedras, barras de ferro
e toda e qualquer sorte de artefatos que possam causar danos, se fazem presentes
na turba ensandecida, remunerada ou não, incitada por apelos e palavras de
ordem, a serviço, seguramente, de interesses de terceiros.
Matar por matar passou a ser a tônica que dá status
ao bandido, que, para escapar mais facilmente das garras rombudas da justiça,
na hora do golpe de misericórdia passa a arma para as mãos de um “di menor”.
Desnecessário, porque, no final, todos escapam.
O transporte público, apinhado de gente a qualquer
hora do dia e da noite, transforma-se em campo fértil para os maníacos sexuais
que investem contra suas presas indefesas, sujeitas às ações doentias e
nojentas desses depravados.
E aí vêm nossos dirigentes para a frente de uma
câmera de televisão ou dos microfones de rádio para tranquilizar a população. “Não
é bem assim, existe certo exagero por parte da imprensa. As estatísticas
mostram diminuição no índice de violência em nossas cidades. A polícia está na
rua, garantindo a segurança do cidadão. Nós estamos atentos a tudo que está
acontecendo e temos o controle total da situação, com monitoramento
ininterrupto dos acontecimentos.”
Não bate. Sinceramente esse discurso não bate com o
que vemos pelas ruas e nos noticiários “exagerados” de nossa imprensa.
Sensibilizar-se, monitorar, estar atento e fazer
estatísticas não bastam. Está além da hora de esses senhores saírem da engorda
e colocar a mão na massa. O tempo que gastam para aparecer na mídia poderia ser
mais bem aproveitado, por exemplo, no desembaraço de projetos de lei que,
seguramente, muitos benefícios trariam à população.
Pronto, falei. Agora vou voltar ao passado.
Texto
publicado em 20/3/2017
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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