sábado, 22 de fevereiro de 2020


EU GANHEI!

E
m direção ao centro da cidade, uma faixa chamou minha atenção. Talvez estivesse ali já há muito tempo. Mas eu não a havia notado. Sabem aquela praça em frente ao Cristo Rei, na Presidente Vargas? Pois é, lá estava ela. Ao sabor dos ventos.
Anunciava a inscrição para a fase municipal do Mapa Cultural Paulista. Era só isso. Ins-cri-ção.
Segui meu caminho. Fui em frente. Afinal, era apenas mais um anúncio de inscrição e eu não estava interessado. Enquanto ocupado com meus afazeres, não pensei mais no assunto.
            Em casa, aquela faixa me voltou à cabeça. Fui buscar mais informações e descobri tratar-se de um evento cultural, do qual poderiam participar autores de obras em diversas modalidades. Teatro, poesia, conto, etc. Uma ótima oportunidade para participar da vida da cidade.
            Então, resolvi me inscrever. Apresentar um conto.  Resolvi e fui à prática. Vasculhei meus apontamentos, à procura de algo que correspondesse à importância daquela iniciativa. Não encontrei. Li e reli diversos textos, e nada. Achei melhor desistir da ideia. Não podia ser nada escrito antes de eu ter lido aquela faixa. Tinha que ser novo, criado especialmente para a ocasião.
           Pensei melhor e, em vez de desistir, resolvi escrever. Escrever e me inscrever. E, então, nasceu um conto. E, com ele, eu só ganhei.
             Ganhei a chance de conhecer gente. Gente importante e que gosta do que faz. Que me falou dos muitos programas que vêm sendo desenvolvidos na área de educação e cultura. Dos incentivos à arte.
            Ganhei a chance de conhecer alguns trabalhos que buscam o resgate da história de Itapevi. Ganhei a oportunidade de saber um pouco mais sobre minha cidade.
          De saber, por exemplo, que ela tem a melhor banda musical do Estado de São Paulo. Que ela tem um hino. Mais que isso, composto por um cidadão Itapeviense e interpretado pelo coral da cidade. Ganhei a oportunidade de ouvi-lo.
         Ganhei mais. Ganhei a oportunidade de conhecer uma réplica de um cinto de castidade, feita pelo Susumo Harada, um brasileiro de origem japonesa. Um cara simples. A simplicidade de quem sabe das coisas. De quem não precisa fazer pose. Valeu a pena conhecê-lo.
              Ganhei a experiência de participar de um evento cultural de grande importância. De concorrer à oportunidade de representar minha cidade. De concorrer à oportunidade de sentir orgulho de poder representá-la.
           Tem mais. Ganhei, ainda, a oportunidade de rever a Lúcia, minha professora de Português. Do colegial. Do CEI. Agora, Secretária de Educação. À época do colégio, recém-chegada à cidade. Acredito que com muitos sonhos, planos e incertezas. Com os receios naturais de quem chega a uma terra estranha, acredito também. Vencedora, no entanto. Um exemplo, sem dúvida. Dela, ganhei livros do Projeto Memória. Presente pra ser guardado com muito carinho. Ganhei notícias de amigos e professores daqueles tempos.
             Como podem ver, eu saí ganhando.
Publicado em 23/8/2003

Texto do livro "Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em clubedeautores.com.br 

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