EU GANHEI!
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E
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m direção ao centro da cidade, uma faixa chamou minha
atenção. Talvez estivesse ali já há muito tempo. Mas eu não a havia notado.
Sabem aquela praça em frente ao Cristo Rei, na Presidente Vargas? Pois é, lá
estava ela. Ao sabor dos ventos.
Anunciava
a inscrição para a fase municipal do Mapa Cultural Paulista. Era só isso.
Ins-cri-ção.
Segui
meu caminho. Fui em frente. Afinal, era apenas mais um anúncio de inscrição e
eu não estava interessado. Enquanto ocupado com meus afazeres, não pensei mais
no assunto.
Em
casa, aquela faixa me voltou à cabeça. Fui buscar mais informações e descobri
tratar-se de um evento cultural, do qual poderiam participar autores de obras
em diversas modalidades. Teatro, poesia, conto, etc. Uma ótima oportunidade
para participar da vida da cidade.
Então,
resolvi me inscrever. Apresentar um conto.
Resolvi e fui à prática. Vasculhei meus apontamentos, à procura de algo
que correspondesse à importância daquela iniciativa. Não encontrei. Li e reli
diversos textos, e nada. Achei melhor desistir da ideia. Não podia ser nada
escrito antes de eu ter lido aquela faixa. Tinha que ser novo, criado
especialmente para a ocasião.
Pensei
melhor e, em vez de desistir, resolvi escrever. Escrever e me inscrever. E,
então, nasceu um conto. E, com ele, eu só ganhei.
Ganhei
a chance de conhecer gente. Gente importante e que gosta do que faz. Que me
falou dos muitos programas que vêm sendo desenvolvidos na área de educação e
cultura. Dos incentivos à arte.
Ganhei
a chance de conhecer alguns trabalhos que buscam o resgate da história de
Itapevi. Ganhei a oportunidade de saber um pouco mais sobre minha cidade.
De
saber, por exemplo, que ela tem a melhor banda musical do Estado de São Paulo.
Que ela tem um hino. Mais que isso, composto por um cidadão Itapeviense e
interpretado pelo coral da cidade. Ganhei a oportunidade de ouvi-lo.
Ganhei
mais. Ganhei a oportunidade de conhecer uma réplica de um cinto de castidade,
feita pelo Susumo Harada, um brasileiro de origem japonesa. Um cara simples. A
simplicidade de quem sabe das coisas. De quem não precisa fazer pose. Valeu a
pena conhecê-lo.
Ganhei
a experiência de participar de um evento cultural de grande importância. De
concorrer à oportunidade de representar minha cidade. De concorrer à
oportunidade de sentir orgulho de poder representá-la.
Tem
mais. Ganhei, ainda, a oportunidade de rever a Lúcia, minha professora de
Português. Do colegial. Do CEI. Agora, Secretária de Educação. À época do
colégio, recém-chegada à cidade. Acredito que com muitos sonhos, planos e
incertezas. Com os receios naturais de quem chega a uma terra estranha, acredito
também. Vencedora, no entanto. Um exemplo, sem dúvida. Dela, ganhei livros do
Projeto Memória. Presente pra ser guardado com muito carinho. Ganhei notícias
de amigos e professores daqueles tempos.
Como
podem ver, eu saí ganhando.
Publicado em
23/8/2003
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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