PARABÉNS A
VOCÊ, ITAPEVI!
Ela é muito especial e eu não queria que esta data passasse “em branco”, sem lhe dedicar algumas palavras. Tive até o cuidado de procurar saber um pouco
mais sobre seu passado e suas origens.
Seus
pais eram viajantes. Ainda que com destinos definidos, não desprezavam a
oportunidade de paradas aqui e acolá para um descanso, um lazer ou, quem sabe,
para, propositadamente, deixar rastros de suas andanças.
Vindos,
não se sabe bem de onde, seguiam em direção ao interior. Muito provavelmente, a caminho de Cotia,
Sorocaba e região. Viajavam muito. Não se estabeleciam.
Acredito
até que nem ficavam sabendo do resultado de muitas coisas que faziam por onde
passavam. Comunicação precária. As notícias demoravam a chegar, quando
chegavam.
Estavam
sempre seguindo viagem. Seguindo seus rumos. Cumprindo suas missões.
Assim
eram seus pais.
Ela,
por sua vez, nasceu em data não muito precisa, até onde consegui apurar, em uma
casa simples, de construção antiga. Paredes de taipa de pilão, segundo me contou
um amigo comum. Paredes, asseguram quem as conhece, beirando os quarenta
centímetros de espessura. Construída, tudo faz crer, em meio à mata ainda pouco
explorada pelo homem.
Embora
se trate de uma paixão antiga e, hoje, eu esteja publicamente lhe desejando
felicidades pela passagem de mais um aniversário, dela eu sabia quase nada.
Até
dias atrás, desconhecia a existência de qualquer indício que servisse para
indicar, ainda que de forma aproximada, a data e local de seu nascimento.
Fui
perguntando aqui, perguntando ali e pesquisando mais ali adiante e fiquei
sabendo que ela nasceu no início do século XVIII, por volta de 1720, no mesmo
ano em que foi construída a casa de que lhes falei acima.
Contaram-me,
também, que essa construção, uma casa bandeirista, fica na Vila Dr. Cardoso. E
que foi descoberta em 1935, pelo Engenheiro João Pedro Cardoso, demarcador da
antiga Estrada de Ferro Sorocabana. Que foi restaurada na década de 60, ocasião
em que a data aproximada de sua construção foi confirmada por especialistas.
E, assim, eu pude saber onde e quando ela nasceu.
Soube,
ainda, que com o passar do tempo, ela entendeu que era chegado o momento de
caminhar com as próprias pernas. De ser dona de seu destino. Ser livre para
crescer livre. Sabia, ela, que conquistara condições para a liberdade. Não
havia porque continuar sob tutela.
E
tanto quis que conseguiu. E tanto fez que conseguiu.
No
dia 18 de fevereiro de 1959, o então governador Carvalho Pinto sancionou a lei
8.525, declarando-a emancipada de Cotia.
Tornou-se,
então, maior de idade, independente.
E,
como disse no início, não gostaria de deixar passar “em branco” o aniversário
de um acontecimento de tamanha importância.
Parabéns,
Itapevi, pelos sessenta e um anos de sua emancipação. Parabéns a você!
Adaptação do texto original publicado em 8/2/2003

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