quinta-feira, 24 de março de 2011

CHEGA DE SAUDADE


“Chega de saudade! Dê uma olhada no que acontece de novo. Veja quantas coisas boas estão por aí”. Sugestão de um amigo e que eu resolvi atender.
Por que não repetir um pouco do que fazíamos quando jovens? Por que não, o desfrute de uma noite agradável que, sem grandes extravagâncias, nos devolvia cansados e felizes para nossas confortáveis camas?
Por que não, a reedição moderna e mais sofisticada das serestas que, nos anos 60, varavam a noite nas escadarias do bar do seu João, o João do Bote? Bar, esse, que atualmente é mais conhecido como o bar do Aranha, apelido de seu último dono.
Convencido, reservei um fim de semana para a sugestão do meu amigo.
Resolvi curtir um pouco de música ao vivo em um dos diversos barzinhos anunciados em revista. Se tivesse pista, poderia arriscar alguns passos.
Animadíssimo, tirei o carro da garagem e, depois de quarenta minutos, estava de volta. Congestionamento, ou melhor, estacionamento em plena avenida. Ainda bem que eu estava no quarteirão de casa.
Fui para o metrô. Depois de meia hora de pisões, empurra-empurra, cotoveladas e muito calor, desci na estação de destino. Desci, não, fui descido.
Na porta do barzinho uma aglomeração. Fila de espera.
Mais meia hora e, finalmente, eu estava confortavelmente instalado.
Alguns esbarrões e bandejadas pela cabeça e eu me via experimentando os petiscos da casa, enquanto, do palco à distância, vinha o som de uma música, até agradável. Não havia pista de dança. Não havia espaço.
Lá pelas tantas, um pequeno grupo passa apressado pela porta de entrada e anuncia o assalto. De mesa em mesa, recolhe bolsas, celulares, carteiras e jóias. Os repentinos visitantes agradecem e vão embora.
Depois de, não sei bem quanto tempo, lavrado o boletim de ocorrência, finalmente inicio a volta pra casa. Ligo pra um serviço de táxi e peço pra que me busque na porta da delegacia.
“O senhor teve sorte. Saiu sem nenhum arranhão.” É, pensei, a gente sofre um conjunto de violências simultâneas e ainda deve dar graças aos céus por não ter sido pior.  Só pensei. Se falasse, poderia, quem sabe, provocar a ira de um motorista com os nervos à flor da pele, depois de horas dirigindo no trânsito maluco de uma grande cidade. Não seria prudente abusar da “sorte”.
Em casa, fui pra cama, preocupado em, nas primeiras horas do dia, correr atrás de cancelamentos de cartões, cheques e segundas vias de documentos. Adormeci, pensando na sugestão de meu amigo e com uma pequena dúvida a me incomodar: chega de saudade?

2 comentários:

  1. Eu me lembro muito bem! João do Bote, noitadas com violão, conversa e mais conversa, onde vai ser o baile de sábado? Será que amanhã o tempo estará bom para nadar no rio? Vamos nos reunir para jogar bola no campinho amanhã? Amanhã é quarta feira dia de filme proibido no cinema do Pereira! Vamos?
    Oh! dúvidas cruéis! O que fazer?


    Pedrinho

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  2. Pois é, como deixar de lado toda nossa saudade...Difícil tarefa.

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