sábado, 6 de julho de 2013

FÁBRICA DE CIMENTO SANTA RITA - A MORTE EM POUCOS SEGUNDOS

Três representantes do grupo italiano Calci e Cimenti di Segni desembarcam no Brasil, no início da década de 1950, com o propósito de implantar uma fábrica e explorar as jazidas de calcário existentes no município de Araçariguama.
Nasce, então, em Itapevi, a Fábrica de Cimento Santa Rita S.A., nome, esse, em homenagem à Sra. Rita, esposa do fundador do grupo. Esse nome, Santa Rita, estendeu-se à pedreira e ao bairro em que se localizava a fábrica.
Falando assim “nasce a Fábrica de Cimento Santa Rita” pode parecer que tudo aconteceu como num passe de mágica. Nada disso. O terreno, no km 40 da ex-Estrada de Ferro Sorocabana, era pantanoso e de topografia irregular o que exigiu árduo trabalho de terraplanagem.
Preparado o terreno, seguiram-se a instalação de galpões, das primeiras instalações da fábrica, da Administração e da vila dos engenheiros e técnicos.
 Da Europa e Estados Unidos veio todo o maquinário para a linha de produção, que, do porto de Santos, chegou a Itapevi, transportado pela ferrovia.
A fábrica, inegavelmente veio dar novo ritmo à então
pequena cidade, construindo ou melhorando estradas para o escoamento de cargas e atraindo pessoas de diversas localidades, que, em sua maioria, acabaram por fixar residência no município. A empresa contribuiu substancialmente para a melhoria da qualidade de vida dos itapevienses. Criou empregos, construiu escolas, cooperativa, armazém de secos e molhados, clube de campo e igreja.
Algum reconhecimento por toda essa contribuição? Não, nenhum.
No dia 19 de julho de 2009, quase 60 anos de sua fundação, a Fábrica de Cimento Santa Rita foi tombada. Não como patrimônio histórico, para preservação da memória histórica, mas demolida pela ignorância daqueles que decidiram pela sua implosão.
Enquanto a velha construção vinha abaixo, sob os efeitos de explosivos, seus carrascos comemoravam com gritos e aplausos. À distância, ex-empregados e famílias, com os olhos marejados, viam parte de seu passado virar fumaça.
É o progresso. É a modernidade passando por cima da história, ou melhor, ignorando a história.
Foi assim. Muito tempo, trabalho, sacrifícios e dedicação para a construção e apenas poucos segundos para limpar, do mapa da cidade, a Fábrica de Cimento Santa Rita.
Não alimento a ilusão de que pelo menos um pedaço da construção tenha sido preservado como marco de uma etapa da história de nossa cidade.
Como também não alimento a esperança de que a população venha a ser presenteada com exposições de fotografias e documentos que falarão um pouco dos imigrantes italianos que, carinhosamente, escolheram nossa ainda pequena cidade como uma extensão de sua terra natal.
O progresso desordenado e inconsequente pode ser pior do que a estagnação.

Um comentário:

  1. Fazer o que ne Ayrton dizem que e o progresso... - José Carlos Branco

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