Três
representantes do grupo italiano Calci e
Cimenti di Segni desembarcam no Brasil, no início da década de 1950, com o
propósito de implantar uma fábrica e explorar as jazidas de calcário existentes
no município de Araçariguama.
Nasce, então,
em Itapevi, a Fábrica de Cimento Santa Rita S.A., nome, esse, em homenagem à
Sra. Rita, esposa do fundador do grupo. Esse nome, Santa Rita, estendeu-se à
pedreira e ao bairro em que se localizava a fábrica.
Falando assim
“nasce a Fábrica de Cimento Santa Rita” pode parecer que tudo aconteceu como
num passe de mágica. Nada disso. O terreno, no km 40 da ex-Estrada de Ferro
Sorocabana, era pantanoso e de topografia irregular o que exigiu árduo trabalho
de terraplanagem.
Preparado o
terreno, seguiram-se a instalação de galpões, das primeiras instalações da
fábrica, da Administração e da vila dos engenheiros e técnicos.
Da Europa e Estados Unidos veio todo o
maquinário para a linha de produção, que, do porto de Santos, chegou a Itapevi,
transportado pela ferrovia.
A fábrica,
inegavelmente veio dar novo ritmo à então
pequena cidade, construindo ou
melhorando estradas para o escoamento de cargas e atraindo pessoas de diversas
localidades, que, em sua maioria, acabaram por fixar residência no município. A
empresa contribuiu substancialmente para a melhoria da qualidade de vida dos
itapevienses. Criou empregos, construiu escolas, cooperativa, armazém de secos
e molhados, clube de campo e igreja.
Algum
reconhecimento por toda essa contribuição? Não, nenhum.
No dia 19 de
julho de 2009, quase 60 anos de sua fundação, a Fábrica de Cimento Santa Rita foi
tombada. Não como patrimônio histórico, para preservação da memória histórica,
mas demolida pela ignorância daqueles que decidiram pela sua implosão.
Enquanto a velha
construção vinha abaixo, sob os efeitos de explosivos, seus carrascos comemoravam
com gritos e aplausos. À distância, ex-empregados e famílias, com os olhos
marejados, viam parte de seu passado virar fumaça.
É o progresso.
É a modernidade passando por cima da história, ou melhor, ignorando a história.
Foi assim.
Muito tempo, trabalho, sacrifícios e dedicação para a construção e apenas
poucos segundos para limpar, do mapa da cidade, a Fábrica de Cimento Santa
Rita.
Não alimento a
ilusão de que pelo menos um pedaço da construção tenha sido preservado como
marco de uma etapa da história de nossa cidade.
Como também
não alimento a esperança de que a população venha a ser presenteada com
exposições de fotografias e documentos que falarão um pouco dos imigrantes
italianos que, carinhosamente, escolheram nossa ainda pequena cidade como uma
extensão de sua terra natal.
O progresso
desordenado e inconsequente pode ser pior do que a estagnação.



Fazer o que ne Ayrton dizem que e o progresso... - José Carlos Branco
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