CONTANDO
HISTÓRIA NA ESCOLA ESTADUAL "LUIZ DA CÂMARA CASCUDO", JANDIRA
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E
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ra uma vez um tempo em que as crianças ouviam histórias
contadas pelos adultos. Um tempo em que não havia luz elétrica, nem asfalto e
nem fogão a gás. Naquele tempo, quando o sol se apagava, era hora de dormir. Na
escuridão da noite, no matagal que cercava as casas, o lobisomem, a mula sem cabeça
e o boitatá aproveitavam a luz da lua cheia para dar um giro pela redondeza. Era
o tempo em que o lampião a querosene, pendurado no prego do batente, espalhava
sua luz, de uma vela, pela casa inteira. Tempo do lanche de pão com mortadela,
comprado no bar da Vila; dos gibis do Cavaleiro Negro, Flecha Ligeira e do
Zorro, trocados no intervalo das matinês.
Era
uma vez um tempo em que as crianças ouviam as histórias que contavam de seus
familiares. Conheciam, de ouvir contar, as fazendas e cidades onde eles viveram
e trabalharam. Sabiam, também de ouvir contar, de suas aventuras e feitos que
tiveram significado importante na formação de suas famílias.
Era
uma vez um contador de histórias que viveu aqueles tempos. Que ouviu o que
contavam de sua família, de seu bairro e de seus amigos. Que leu e trocou
muitos gibis e conheceu – ainda que só por ouvir dizer – as assombrações que
passeavam pelo matagal à volta de sua casa. E, de tanto ouvir histórias, achou
que um dia conseguiria contá-las. Achou e arriscou. Saiu, por esse mundo afora,
contanto um pouco do que sabia.
Um
dia, foi convidado a contar histórias para contadores de histórias.
Disseram-lhe que havia, em algum lugar, não uma, mas um grupo de pessoas
interessadas em ouvir seus causos. Pessoas preocupadas em conhecer e contar a
história de seu povo. Jovens estudantes que, mais do que contar, estavam
construindo a história de sua comunidade.
E
ele, então, foi até lá. Mal chegou e se apresentou, pôs-se a falar. Falou até
pelos cotovelos. Não deu chance a ninguém. Afinal, não podia perder aquela
oportunidade. Encontrou, finalmente, quem se dispusesse a ouvi-lo. E falou, não
sabe bem por quanto tempo. E muito mais falaria, tamanha a alegria de estar ali
com seus novos colegas. Alegria, porque sentiu que eles estão falando sério.
Porque acreditam no projeto em que estão trabalhando. Porque transmitem o
otimismo próprio dos vencedores.
E o
tempo passou voando. Que pena. Hora de ir embora. Aquela foi uma tarde-noite
especial para o contador de causos. Em Jandira, na Escola Estadual “Luiz da
Câmara Cascudo”, conheceu pessoas que contarão e farão histórias. Uma galera
que põe a mão na massa, em busca de seus objetivos. Conheceu um futuro
baterista, uma futura médica, futuros advogados, engenheiros, professores,
escritores... futuros brilhantes.
Ganhou
amigos: Rosely, Diretora - Maria Aparecida, Vice-Diretora – Ângela, Professora
- José Wilson, Professor – Meire, Professora – Miriam, Professora – Selma, Professora
- Aline, 2o A – Grazianne, 7a
A – Jackson, 8a B – Janaina, 1o A - Lidiane, 1o
A – Maxwell, 3o A – Neila, 2o A e Renata, do 2o A.
Ganhou
também um presente, uma recordação. Decorada pelos alunos, uma bonita garrafa.
À primeira vista, pensou que estivesse vazia. Em casa, com mais vagar, viu que
ela está cheia.
Contém
uma mistura bem dosada de força de vontade, fé, companheirismo, criatividade,
inteligência, amor, alegria, união e responsabilidade. O contador de histórias
a exibe com orgulho e relembra, já com uma pontinha de saudade, o encontro com
seus colegas do Cascudo.
Texto
publicado em 13/5/2006, com o título "Contando história no Cascudo"
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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