sexta-feira, 25 de outubro de 2019


PEGANDO CARONA
  

N
aquele tempo, se não repetisse, a gente ficava quatro anos na escola e recebia um diploma. Os que tinham condições de imediato, seguiam em frente. Faziam o curso de admissão, ginásio, colégio e faculdade. Os que não podiam, paravam nos quatro anos. Alguns, para sempre, outros, até que a situação melhorasse.
        Na cidade, havia dois grupos escolares: Grupo Escolar Marechal Cândido Rondon e Grupo Escolar Dr. Raul Briquet. Eu estudei no primeiro. Dois barracões de madeira, ali onde hoje fica a Praça 18 de Fevereiro. Depois, acho que quase no final do curso, mudamos para um prédio moderno, construído lá pelos lados do Parque Suburbano. Tinha até campainha cigarra, para substituir o sino que avisava o início e final das aulas. Ali, para nós, começava a era do concreto. Trocamos os jardins e o parque infantil à beira do rio pelos muros e escadarias da nova escola. Isso entre 1957 e 1961.
        Não me lembro do nome de nenhum dos colegas daquela época. Uma vez tentei conseguir a lista na secretaria da escola. Não me deram. Disseram que é confidencial. 
         Depois do primário, parei um pouco, para tomar fôlego. Em 1967 fui fazer um curso oferecido pela ferrovia aos filhos e parentes de ferroviários. Curso de Formação de Oficina, CFO, em Barra Funda. Três anos de curso e um grupo de amigos dos quais, depois de formado, nunca mais tive notícias. Jonas, Lourival, João Luiz, Ivaldir, Eraldo... E olha que era um grupo pequeno. Não mais que vinte alunos, alguns deles das cidades vizinhas. Osasco, Carapicuíba, Km 29, Jardim Silveira, Jandira, São João Novo, São Roque e Mairinque.
     Mais uma parada, para mais um pouco de fôlego e, de novo nos bancos escolares. De volta à nossa cidade. No Colégio Estadual de Itapevi, CEI. Turma de 1972 a 1974. Dos professores Wanderley, Kuia, Gegê, Lúcia, Laura e dos colegas Laércio, Bico, David, Irineu, Lídia, Érica, Osmar, Nilsa e tantos outros.
        Em seguida...
       Mas, e daí? Meu amigo leitor deve estar se perguntando o que tem a ver com isso. Que eu conte histórias dos outros, vá lá, mas a minha?! O que é isso, agora? Falta de assunto?
        Calma! Não fiquem bravos! Eu explico.
        Quem leu vai entender e, quem não leu, sugiro que leia o excelente artigo “20 anos depois”, da coluna “O Som do Marcão”, edição de 22 de abril. Nosso colunista, quando a saudade bateu, contou pra todo mundo. Falou da sua escola e da sua turminha. Das festinhas e dos “xavecos” e da falta de notícia de seus amigos. Lamentou tê-los perdido de vista.
        Com certeza ele encontrou resposta. Impossível que seu sutil e implícito apelo não tenha despertado a sensibilidade da Cláudia, Claudete, Mirtes, Edna, Flavio, Vagner, Val, Patrícia.
     Entenderam agora? Estou copiando, sim. Copiando de quem sabe das coisas. E os meus amigos, por onde andarão?
       Com licença, Marcão, mas sua ideia foi muito boa e é nela que estou pegando carona.
Texto publicado em 26/8/2006

Texto do livro "Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em clubedeautores.com.br 

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