UMA CASA NA
PRAIA
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A
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niversário da cidade, feriado e uma tarde tranquila para
um bate-papo e um lanche com o delicioso, segundo ela própria, bolo caseiro
feito pela Miriam. Pela porta da sala, uma colega cheirando a cachorro, segundo
ela mesma disse, e trazendo no colo o Gabriel, uma espécie canina, entra
cumprimentando a todos, indo parar na cozinha. Gente da casa, quase da família.
Os
assuntos pulam de um lado para outro. Música, filhos, amigos, animais de
estimação e enchentes. Isso mesmo, enchentes. Em tudo quanto é lugar e, para
não ser diferente, também em nossa cidade.
A
Lurdinha, essa nossa colega, a do cachorro no colo e que, portanto, cheirava a
cachorro, como ela mesma disse, repito, teve de se mudar até que a situação
melhore. Até que o rio entenda que não deve ficar jogando água pra tudo quanto
é lado. Talvez ela, nossa colega, tenha que ficar fora por pouco tempo. Quem
sabe, no próximo aniversário da cidade ela já esteja de volta.
Não
há que se ficar preocupados. Ela e a família estão muito bem e já se adaptaram
ao novo lar. E aí, mais brincadeira. Dizem que a nova casa é tão
pequena que eles têm que esperar do lado de fora, enquanto a visita não vai
embora. Mas claro que é só brincadeira. Mais importante que o tamanho da casa
é, sem dúvida, o tamanho do coração do dono.
Agora
nossa amiga é visita e aproveitamos a oportunidade do encontro para colocar a
conversa em ordem e fazer alguns planos. Investimentos na área turística.
Vamos
construir uma praia. Exatamente às margens do rio que teima em transbordar e
que foi o principal responsável pela mudança de nossa colega. Bem em frente à
casa que ela teve que deixar fechada. Como diz o ditado, vamos fazer uma
limonada do limão que nos deram. O investimento não é muito grande, não. Alguns
caminhões de areia e umas barracas: “Churrasquinho do Gato”, outra de bolo
caseiro, esteiras para alugar, algumas boias para a criançada e muita torcida
para que o verão pegue pesado. Vai ser um empreendimento familiar, com todos
pondo a mão na massa. A casa poderá ser utilizada como vestiários, quando não
estiver inundada.
Piadas
e brincadeiras para descontrair, para esquecer um pouco os problemas. Na
despedida, a certeza de que, no ano que vem, voltam para a casa, para junto de
seus vizinhos amigos.
Hoje,
esse texto, junto com a cidade, comemora seu aniversário. Ele nasceu exatamente
há um ano, quando Itapevi festejava 46 anos de sua emancipação. Por algum
motivo que não me lembro, ficou incompleto e guardado. E por alguns motivos,
que não me esqueço, continua atual.
Vejam
vocês: nossa amiga ainda não voltou, a casa continua fechada e o rio continua
insistindo em deixar o leito para invadir as construções ribeirinhas.
O
projeto do nosso balneário teve que ser engavetado, pois ouvimos dizer que,
exatamente no lugar da nossa praia, o rio seria canalizado. Correndo por
debaixo da terra, o Barueri-Mirim não mais seria vítima de enchentes e nem
teria suas margens à amostra para nossa areia. Sobre ele, teríamos ruas
arborizadas e muitos jardins, com suas alamedas convidativas a passeios.
E
um ano se passou. E nada disso aconteceu. Estou pensando seriamente em
aproveitar o próximo lanche da tarde para retomar nosso projeto.
Texto
publicado em 25/2/2006
Texto do livro
"Itapevi - minha cidade - em dois tempos - 2018 - À venda em
clubedeautores.com.br

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