quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019





SAUDADES DO MEU PEQUENINO PORTELA
Walter Braga

Minhas lembranças começam no ano de 1957, quando saí de Jundiaí e vim para Itapevi, mais precisamente para o bairro do Jardim Portela. Mudamos para a chácara dos italianos, onde funcionava a fábrica de vinho.
Era tudo estranho, eu não conhecia ninguém, mas aos poucos, como todos os garotos da minha idade na época, 7 anos e meu irmão Luizinho com 5 anos, sempre encontram um jeito de fazer amizades, acabamos também nos aproximando daqueles que seriam nossos primeiros amigos em nosso novo endereço.
Conhecemos os irmãos Ayrton e Pedrinho e o nosso amigo Luiz Barranco, que hoje mora lá no céu e que tinham a mesma idade que nós. Fizemos uma amizade tão linda que, graças a Deus, dura até hoje.
Moro no Portela até hoje, mas quanta mudança! Naquela época não havia luz nas ruas, asfalto, água encanada, mas, para nós, era um paraíso. Podíamos brincar até altas horas, sem perigo algum.
O tempo passou e veio a adolescência. Nossas brincadeiras passaram a ser outras; já pensávamos como adultos. Formamos um time de futebol de salão, depois, um de futebol de campo, além de nos divertirmos jogando malha, deixando para trás o jogo de taco, bolinha de gude, pião, figurinhas e pipas.
Aí, vieram os bailinhos nos fins de semana. Conhecemos várias garotas, não só do Portela, mas de toda Itapevi, como, por exemplo, Vitápolis, Jardim da Rainha e Suburbano. Todos, de todos os bairros, se conheciam e podíamos andar a qualquer hora e em qualquer lugar, que éramos bem recebidos.
E nossa turma ia aumentando cada vez mais. Vou citar alguns nomes de que me lembro e, se eu me esquecer de algum, me perdoem: Altamir, Tino, Chiquinho das Cabras, Betão, Zelão, Carlinhos do Sargento, Cidinho, Zé Branco, Eliseu, Jô e os irmãos Dudu, Té e Carlinhos.
Mas como em todos os lugares vem o progresso, Itapevi não é diferente.
Minha cidade cresceu, como também meu querido Bairro Portela. Quanta diferença! Já não tem mais aquelas brincadeiras de rua na época do Natal e das Festas Juninas. Não existe mais aquele povo festeiro; tudo acabou.
Hoje só pessoas estranhas que mal se cumprimentam. Não tem mais as batucadas, aquele papo descontraído; tudo mudou.
Ai que saudades do meu pequenino Portela!

Walter Braga – Nasceu em Guaianases, São Paulo, no dia 14 de fevereiro de 1950. Veio para Itapevi em 1957, com seus pais José Luiz Braga Filho e Luci Bernardes Braga e seus irmãos Judith, Élio, Luis e Wilma. Casado com Ângela Maria Lopes Braga. Pai do Wagner e da Valéria e avô da Evely, Arthur, Gustavo e Gabriel.

Texto do livro “Pedras preciosas - Histórias de Itapevi” – 2018, publicado e disponível para aquisição no Clube de Autores, www.clubedeautores.com.br.

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