MATRIZ E FILIAL
Filastor Brega
Jandira
era a filial e, Itapevi, a matriz. Na saudosa década de 70, Jandira não tinha
praticamente nada de serviços ao cidadão e o pequeno comércio não supria todas
as vontades de compras de quem lá vivia. Era tudo muito precário. E Itapevi
estava bem à frente! Boa parte de sua população procurava a cidade vizinha para
satisfazer suas necessidades de bens, lazer e saúde. Tinha até cinema em
Itapevi.
Frequentei
muito a cidade das Pedras Preciosas nos anos 70.
O meu
primeiro emprego foi na Empla; meu chefe direto era de Itapevi. O Toninho,
bigodudo, rapaz sério e dedicado ao trabalho. Trabalhávamos no setor de
agrimensura. Eu o ajudava a medir e marcar terrenos que iam ser loteados. Foi
pouco tempo. Dias desses soube que ele faleceu ainda jovem. Caiu de um trem.
No
começo dos anos 80, também quase morri em uma manhã, bem cedinho, na cidade de
Itapevi. Estava voltando de Bernardino de Campos, minha cidade Natal, no Trem
Expresso da Fepasa, que só ia parar na Júlio Prestes. Teria que pegar um trem
de volta para a cidade de Jandira.
O trem
deu uma diminuída e eu achei que conseguiria pular na plataforma. Conforme me
encaminhava para a porta, ele foi ficando rápido novamente. Já estava ali próximo
da saída, calculei rapidamente a velocidade x tempo x distância... Apesar de
conhecer bem o elemento trem, nunca fui muito bom em física... me estatelei no
chão da plataforma dessa cidade. Ainda bem que existem anjos da guarda. E o
meu, com certeza, é muito bom. E agradeço sempre.
Quase
me fui, mas na realidade foi só um rasgo na mão e na perna. Um corte muito
feio, que sangrava bastante (Até olhei para a minha mão, para ver se havia
sobrado um pedaço daquela cicatriz. Não! Mais nada no físico. Mas na mente,
mesmo decorrido todo esse tempo, a cena se faz presente, como se tivesse sido
ontem).
Três
pessoas me socorreram. Entre elas um bêbado famoso da região, que pediu um copo
de pinga no bar e despejou sobre a ferida da mão, que era a mais grave. E ainda
falou: “Não vai ficar nem marca. É um santo remédio”.
Voltei
para Itapevi, depois de um longo tempo, para o lançamento do livro de um amigo.
Me perdi... A cidade está tão diferente... tão diferente... Gostava muito mais
como era antes.
Filastor
Brega
- Nasceu em Bernardino de Campos em 1960. Morou por mais de 30 anos na cidade
de Jandira. Frequentou muito Itapevi. Trabalhou e se aposentou na Fepasa.
Paralelamente dedicou-se a leitura e escritura de algumas palavras. Hoje
trabalha no audiovisual, com atuação, direção, roteiros e também com livros que
tratam e cuidam de resgatar memórias que ficariam perdidas para sempre, para
nunca mais serem contadas.
Texto do livro
“Pedras preciosas - Histórias de Itapevi” – 2018, publicado e disponível para
aquisição no Clube de Autores, www.clubedeautores.com.br
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