segunda-feira, 6 de maio de 2019


PREFÁCIO


Novos e maravilhosos escritores de Itapevi
                                                                    
Gosto de ler. Leio bastante... Mas muito menos do que gostaria.
As histórias que mais me têm causado prazer na leitura têm sido as de escritores que não sabiam que eram escritores. Pessoas comuns, com histórias para contar, mas que as mantiveram guardadas, por falta de oportunidade ou mesmo de um simples convite.
Essa oportunidade acaba chegando para alguns que a agarram e acabam contando uma poranduba que estava entalada na cachola, doida para ser escancarada ao mundo. E essas histórias adquirem vida no universo das palavras.
Minha última agradável surpresa foi o livro “Pedras Preciosas – Histórias de Itapevi” capitaneada e organizada pelo amigo Ayrton Corrêa, que está trabalhando neste projeto há bastante tempo e quase fechando o primeiro ciclo que é o de ter as histórias para serem impressas no formato de livro. E que histórias!
Acompanhei de perto toda a trajetória do projeto, criação, desenvolvimento, alegrias e tristezas que a criação de um projeto ambicioso como esse provoca no seu organizador... ainda mais quando ele é ansioso. Depois de muito trabalho, o resultado final vai chegar ao grande público.
Da minha parte posso dizer, de boca cheia: “Que leitura maravilhosa!” Cada história um deleite. Fazendo-me reconhecer em determinados momentos, como se ali também tivesse vivido e como se aquelas também fossem parte da minha história.
Explico. Nunca morei na cidade de Itapevi, e sim na sua coirmã, a cidade de Jandira. Que também padecia com os mesmos problemas sociais e estruturais de uma cidade em desenvolvimento e modificação, às vezes para melhor, mas às vezes também para pior. Em todas as histórias, em um determinado momento, eu encontrava um pedacinho da minha vida.
Jandira era a filial e Itapevi, a matriz. Na saudosa década de 70, Jandira não tinha praticamente nada de serviços e nem comércio. E boa parte de sua população procurava a cidade vizinha para satisfazer suas necessidades de compras, lazer e saúde.
Trajetórias semelhantes de cidades que acabaram crescendo mais do que deviam, sem possuir infraestrutura adequada para a população que crescia a olhos vistos. Perdendo os encantos de cidade pequena e aconchegante. Mas, enfim, é o preço do progresso desorganizado. E estamos pagando e vamos pagar por muito tempo por ele.
Mas vamos falar de coisas boas. As histórias contadas por seus moradores no livro “Pedras Preciosas”, porque as que não foram contadas... essas ninguém vai ficar sabendo, ninguém vai ler e ninguém vai contar para outras pessoas e elas se perderão aí pelos caminhos dessa nossa existência e de outras também. 
Mas as histórias... isso sim é o que mais me encantam. E como me encantam.
As histórias, em sua grande maioria, são belíssimas homenagens aos saudosos antepassados, aos amigos queridos e, por fim, à própria amada cidade de Itapevi... que também é a mãe (biológica e adotiva) de todos esses autores e que merece o nosso respeito.
Boa parte das histórias é do reduto do Bairro Portela, mas que, em seu microcosmo, irradia-se por toda Itapevi, descrevendo nomes/apelidos, locais, brincadeiras, tradições, festas, fatos, costumes, folclores, vida e a existência de cada um dos autores.
É um livro de lembranças. E tem coisa melhor do que lembrar? São histórias de luta, com um pouco de tristeza, mas também com muita alegria, com muita esperança e com muitas vitórias (Duas das autoras chamam-se Vitória). Um livro de saudades dos entes e dos amigos queridos. Um livro para mostrar que a esperança é a última alternativa e que ela pode ser realizada, por maiores que sejam as dificuldades enfrentadas.
Um livro, enfim, para se encantar e se deliciar. E mostrar que cada um pode escrever também uma parte da sua história. Contando, assim, a história de uma cidade toda, por quem realmente sentiu na pele o que era viver naqueles tempos. De uma forma bem diferente da versão oficial, que sempre é a mais propagada.
Missão quase cumprida. Parabéns, Ayrton Corrêa, escritor e excelente observador da humanidade e suas mazelas; que já nos havia brindado com o maravilhoso livro “Puxando pela Memória”, com lembranças da sua vivência em Itapevi e que agora proporciona a outras pessoas a oportunidade de compartilhar suas reminiscências e de se orgulhar do caminho que traçaram até chegar aos dias de hoje.
Filastor Brega
Texto do livro “Pedras preciosas - Histórias de Itapevi” – 2018, publicado e disponível para aquisição no Clube de Autores, www.clubedeautores.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário

AINDA PENSANDO O NATAL

  , Senhor Papai Noel, gostaria de fazer algumas observações que me parecem pertinentes. Contrária à situação do ano passado, neste, não f...