PERDENDO VOTOS
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V
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inha
eu com meu fusca 1971 pelas ruas tranquilas da cidade, apreciando a paisagem.
Bem, isso é coisa do passado. A realidade hoje
é outra. E, “ser outra” não teria de significar necessariamente “ser pior”.
Mas, infelizmente, nesse caso, é outra e é pior.
Já falei desse problema em artigo anterior.
Volto ao assunto, porque a situação continua cada vez mais crítica.
Naquela oportunidade falei do perigo que corre
o usuário da estrada que liga Itapevi à Castelo. A roleta russa que é passar
por aquele trevo. O que é ter de procurar a proteção de um veículo maior, para
diminuir o risco da travessia. Confesso que, na ocasião, me esqueci de falar da
velocidade exagerada de alguns motoristas apressados. Do perigo oferecido pela
pista de mão dupla.
Não falei também do exercício de pura sorte
que praticam os que entram ou saem do condomínio Nova São Paulo. Seja em
direção ao centro da cidade, seja em direção à rodovia. Quando já escuro, então, a possibilidade de um
veículo sem sinalização aumenta, em muito, o risco de acidente.
No
caminho de volta, margeando o muro do colégio, no final do quarteirão, um
susto. O acesso à via expressa que passa junto ao estádio é feito diretamente
na pista da esquerda. A de maior velocidade. Só é possível ver se há condições
seguras de acesso com o carro quase dentro da pista. E com os veículos passando
a poucos centímetros, em alta velocidade.
Passei por essa e continuo em frente. Os
carros seguem velozes ao meu lado. Dá para perceber, pelas manobras, que
conhecem bem o terreno.
No final do muro do estádio, no posto de
gasolina, a pista em direção à Castelo. Em velocidade não muito recomendável,
passa por mim um veículo com placa “de fora”. Entra na pista como se estivesse,
ainda, em uma via de mão única. Segue um bom pedaço pela esquerda. Os faróis
em sentido contrário lhe mostram que está enganado. Com habilidade e com sorte,
retorna para sua mão de direção.
Continuo meu caminho, sem entender muito bem
o porquê dessas condições precárias de segurança e, ainda que não se trate de
um pedido de explicação, arrisco imaginar as prováveis justificativas de nossos
administradores.
Diriam que esses problemas envolvem mais de um
responsável. Governos municipal e do Estado. Prefeituras de mais de um
município. Liberação de verbas. Abertura de licitações. Desapropriações, etc. E
diriam, sem sombra de dúvida, que todas essas providências já foram tomadas.
Os candidatos à administração, por outro lado,
diriam que todas essas medidas fazem parte de seus programas de governo.
Medidas urgentes, urgentíssimas, como se costuma dizer.
Contar-lhes que esses problemas existem e
exigem solução parece-me desnecessário. Pedir-lhes que se apressem para
resolvê-los parece-me inútil. Sensibilizá-los, falando dos riscos que corremos,
parece-me impossível.
No entanto, parece-me restar a alternativa de
apelar para a lógica. Pedir-lhes que analisem o problema de um ângulo
diferente. Que considerem valores possivelmente mais significativos no universo
de seus interesses, ou seja, se nós, eleitores, perdermos a vida, os senhores,
candidatos, estarão perdendo votos.
Simples, não? 22/5/2004
Texto do livro "Itapevi - minha cidade - em
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