UMA BANDA CHAMADA SHINDIG’S
Roberto Barbosa Rodrigues
Tudo começou na E. E. Dr. Raul
Briquet, pois esta era a escola na qual estudavam os primeiros rapazes que
serão os protagonistas desta crônica.
A década era a de 60, os chamados “anos dourados”. Os anos 60 foram
marcados por grandes avanços científicos, tecnológicos e mudanças culturais e
comportamentais. Foi a década em que começaram as transmissões de televisão,
provocando uma grande mudança nos meios de comunicação. No campo da política
internacional, os conflitos entre os blocos capitalista e socialista
denominados “Guerra Fria” ganhavam cada vez mais força.
Por tudo isso, a década de 1960 é conhecida como o período dos
"anos dourados". Essa década foi tão intensa que assistiu ao homem pisando na lua, a
primeira viagem interespacial de nosso mundo. E aqueles que viveram esse período
dificilmente assistirão ao homem pousando em Marte, que é o próximo passo a ser
dado, daqui a algumas décadas.
Poucos anos antes, em 1956, na cidade de Liverpool (Inglaterra), quatro
jovens ingleses formavam uma banda: “Os Beatles”. Faziam parte desse grupo os seguintes
músicos: John Lennon (vocalista, guitarrista e compositor), George Harrison
(guitarrista e vocalista), Paul Mc Cartney (baixista, compositor e vocal) e
Ringo Star (baterista). O nome inicial da banda era Silver Beetles, fazendo uma
referência a besouros. Porém, por sugestão de John Lennon, a banda passou a se
chamar The Beatles, pois a palavra inglesa "beat" significa ritmo ou
batida.
Calcados nessa inspiração, jovens músicos brasileiros criaram um
movimento, ao qual foi dado o nome de “Jovem Guarda”, que se tornou o primeiro
movimento musical em nosso país, colocando a música brasileira em sintonia com
o fenômeno internacional do rock da época, inspirados principalmente pelos
Beatles.
Esse fenômeno teve o condão de revelar inúmeros artistas e teve
repercussão nacional e internacional; foi um movimento cultural brasileiro
surgido em meados da década de 1960, que mesclava música, comportamento e moda.
Por essa época, andava por Itapevi um jovem apelidado de “Peninha”, cujo
nome era Ariovaldo Prearo, que no futuro seria mostrado pela Revista Forbes
como um dos dez melhores fotógrafos do mundo. Esse jovem era um fã entusiasmado
dos Beatles e foi ele que mostrou ao Pardal (Edevaldo Delalibera) o primeiro
disco desse conjunto.
Dessa conversa nasceu a ideia de montar uma banda, e o Pardal não perdeu
tempo. Conversando com o Guinho (Hugo
Michelotti) e com o Paulo Novaes, dirigiu-se a São Paulo e, em uma loja de
artigos musicais chamada Casa Manon, comprou um contrabaixo e uma caixa de som
“Thunder Sound”. Esse primeiro equipamento veio para Itapevi pela ferrovia, à
época Estrada de Ferro Sorocabana. Entusiasmado com a ideia, o Guinho, logo em
seguida, adquiriu uma bateria Pinguim, instrumento de ótima qualidade e
procedência.
Um dia, caminhando pela nossa cidade, o Pardal viu um carro quebrado; ao
lado do veículo, uma senhora e dois jovens. Um dos rapazes era o Claudio
(Claudio Name). E o Pardal, mesmo sem conhecê-lo, se ofereceu para ajudar.
Quando o Claudio abriu o porta-malas do veículo, lá estava uma guitarra Phelpa,
vermelha e o Pardal perguntou se ele era músico. Diante da resposta positiva,
ele foi imediatamente convidado para fazer parte da banda que estava se formando.
Saliente-se que a mãe do Claudio era professora de música e foi de grande
ajuda.
Ao Pardal e ao Guinho veio juntar-se o Toninho (Antonio Soares de
Carvalho), também guitarrista, para fazer o solo das músicas. Os primeiros
ensaios da banda ocorriam no porão da casa da avó do Guinho, saudosa dona Maria
Roncagli Michellotti e depois passaram para a casa dos pais do Guinho, José e
Madalena Michellotti.
Como a banda, para realizar bailes, tinha a necessidade de um vocal, o
convidado foi o Robertinho (Roberto Barbosa Rodrigues), que aceitou o encargo e
se esforçou muito para levá-lo a contento. Como o Toninho tinha grande amizade
com o Eliseu (Eliseu Ignácio Silveira), que tocava em São João Novo e sempre
ajudava nos instrumentos, acabou por agregá-lo ao grupo, o que foi muito
positivo.
Mas antes do Eliseu, ingressou no grupo o Rosenval (Rosenval Ramos),
pois na época a banda havia adquirido um teclado, tocado, então, pelo Claudio,
que ficou sobrecarregado, pois fazia também a base. Então o Rosenval veio para
dividir o trabalho, justamente na época do Festival de Música de Itapevi.
Quando a banda foi procurada para tocar em uma apresentação do Cauby
Peixoto, em um circo que estava na cidade, a música de sucesso era “Zíngara” e,
como necessitava de uma abertura de trombone de vara, o grupo procurou o
Foguinho (Claudio Caetano Ferraz).
Ainda para o festival, ao grupo se somaram o Joracy (Joracy Celestino de
Pádua), para tocar bongô e o Tite (Waldir Abreu) para fazer o agogô, isso para a música
“Mariana”, que foi apresentada no Festival Intermunicipal de Música.
Passado o festival, com a continuidade do grupo, o Guinho resolveu dar
um incentivo ao Gerson (Gerson Marcos Michelotti), seu irmão, que à época
contava apenas com 16 anos de idade. Isso, no entanto não o impedia de acompanhar
o grupo a bailes noturnos, pois cada apresentação era feita com uma autorização
formal do Juizado de Menores.
O grupo era eclético. Apresentava-se em bailes, festas e shows.
Atualmente, a maioria das festas é conduzida por DJ (sigla em inglês que
significa “disc jockey”). O DJ é um artista responsável por transmitir música na
rádio, televisão ou em qualquer local onde se ouça música.
Originalmente, o termo foi criado para retratar o locutor de rádio que
tocava música através dos discos, o que já não é comum nos dias de hoje. O
conceito de DJ foi sendo alterado significativamente com o passar do tempo e
com o aparecimento de novas tecnologias. Hoje em dia, o laptop é uma ferramenta
essencial para um DJ e as mesas de mixagens estão muito desenvolvidas. A vasta tecnologia permite que
existam tipos diferentes de DJs, que adotam estilos bastante diferentes e que
são adequados a diferentes tipos de público.
Mas, naquele período, o que realmente atraía a juventude eram os bailes
animados por bandas instrumentais como essa.
A Banda Shindig’s realizou e abrilhantou bailes em São João Novo, no
Sete de Setembro – em São Roque, no São Roque Clube e no Restaurante Pigalle –
em Jandira, no União Pró Jandira – em Itapevi, no Grêmio Esportivo Itapevi e no
Cine Teatro São Manoel.
A banda fez ainda realizar grandes festas juninas na Praça 18 de
Fevereiro, que eram chamadas de “quermesse”, termo hoje em desuso, que assim se
explica: quermesse é uma palavra com origem no termo em flamengo “kerkmisse”,
que significa uma festa beneficente, com um bazar, onde é feito um leilão das
prendas oferecidas. Esse tipo de evento costuma ser organizado ao ar livre, e a
sua origem está relacionada com a Igreja Católica.
A banda também acompanhou artistas de renome em circos que visitavam
Itapevi, especialmente o Gran Circo Hermanos Stankovich, como Ed Carlos e Cauby
Peixoto. E, para animar os bailes, tinha uma seleção de músicas muito bonitas,
como Gina, Roberta e Love is all.
Uma grande colaboradora do grupo era a Janoária, que era professora de
música em Itapevi e levou o conjunto várias vezes para tocar no São Roque Clube
e no 7 de Setembro.
A Banda tinha colaboradores e incentivadores de grande qualidade, como
Ademir Balera, Paulo Novaes, Ramiro Novaes, Erica, que era nossa tradutora
bilíngue, Renata irmã do Claudio, que também era pianista como a mãe, e também
o Tuia e o Capeta entre outros.
Antes da Banda Shindig’s, o único conjunto que existia em Itapevi era o
Regional do Leque, que também deixou saudades para os moradores mais
conservadores.
A verdade é que essa banda abriu caminho para outras tantas que fizeram,
e continuam fazendo, a alegria de nossa juventude.
Roberto Barbosa Rodrigues – Formado em Técnico de
Contabilidade pelo Instituto Saldanha Marinho em 1968. Bacharelado em Ciências
Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco,
Universidade de São Paulo, em 1975. Pós Graduado Lato Sensu, em Direito
Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica, em 1982. Bacharelado em
Ciências Contábeis e Atuariais pela Faculdade de Ciências Econômicas e
Administrativas de Osasco, em 1998. Pós Graduação Lato Sensu em Administração
Financeira na Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco, em
2000. Pós Graduação Stritu Sensu em Direito Processual Civil na Universidade
das Faculdades Integradas de Ensino em Osasco, em 2005.
Autor de duas obras literárias,
“O JUIZ E A ÉTICA” e “REPENSANDO O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO”. Professor de
Direito Processual Civil. Advogado com banca em Itapevi, desde 1975.
Texto do livro
“Pedras preciosas - Histórias de Itapevi” – 2018, publicado e disponível para
aquisição no Clube de Autores, www.clubedeautores.com.br
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