segunda-feira, 18 de março de 2019

ENCONTRO, PRA QUÊ?

 
U
ma vez, conversando com um amigo dos tempos do colégio, eu comentei a ideia de um encontro com os formandos do ano de 74. “Pra quê? Vivemos dando trombadas pelas feiras, comércio e ruas da cidade”. Rebateu ele de pronto.  Não achei que tivesse razão, mas fiquei quieto.
     Há poucos dias tive a grata felicidade de rever o Osmar, um outro amigo daqueles tempos. Amigo que não via há quase trinta anos. Amigo dos melhores. Que fazia parte da turma. Do dia a dia. Daqueles que só os diferentes rumos que tomamos na vida conseguem separar. Daqueles que, com a tão “manjada” desculpa de falta de tempo, perdemos de vista. E quando os reencontramos, lamentamos o tempo perdido.
     Pois bem, falamos de tudo um pouco. Com pressa. Ele trabalhando e eu preocupado com os horários a cumprir. Ou vocês pensam que aposentado não tem horários? Falamos quase que os dois ao mesmo tempo.  Afinal, estávamos colocando em dia os assuntos acumulados em mais de um quarto de século. 
   Falamos das nossas famílias. Das coisas que fizemos durante esse tempo. Das escolas dos filhos. Dos amigos de colégio. Dos estudos na casa do Irineu Chaluppe, para as provas periódicas. Lembrei como ele era craque em matemática. Ensinava todo mundo!
        E a conversa seguia por esse rumo. Na maioria das vezes, eu perguntando e ele respondendo. Sabe onde estão quase todos os nossos amigos. A maioria continua na cidade. Empresários, bancários, comerciantes, funcionários públicos, políticos.
          Sabe dos professores. Até daqueles de quem eu nem me lembrava. Por exemplo, não me lembro de ter tido aulas de artes. Ele me disse que até redes e tarrafas aprendemos a fazer. Acho que “cabulei” (conhecem esse termo?) todas essas aulas.
           Contou-me que chegou a visitar o colégio. Para matar saudade. Ainda bem. Não sou o único a sentir saudades do “velho” e bom CEI.
          Que, como eu, não participou da festa de formatura. Que também não tem fotos do pessoal. Lembramos da Rural Willys do Irineu. Dos colegas de classe que moravam no Sagrado Coração e Jardim Silveira. Sabe o nome de cada um deles. Memória de elefante tem esse meu amigo português! Ah! Ele não tem notícias do Bico. Por onde andará o Bico?
       Chegou a hora de nos despedirmos. Deixei para trás a loja à beira da estrada de Amador Bueno. Com muito mais ainda a conversar. Quem sabe, num outro dia.
        Feliz com o encontro, esqueci de lhe falar sobre a ideia de reunir o pessoal daquela época. Pensando bem, foi melhor assim. Afinal, pelo que pude perceber, a maioria continua mesmo na cidade. Encontrando-se a todo o momento. Como diria aquele meu amigo: “Vivem dando trombadas pelas feiras, comércio e ruas da cidade”.
Agora vejo que ele tinha razão. Encontro, pra quê?
22/3/2003
Texto do livro "Itapevi - minha cidade - em dois tempos -  2018 - À venda em clubedeautores.com.br 

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