sábado, 30 de março de 2019

RIO BRANCO FUTEBOL DE SALÃO


 

N
ão que faltasse o que fazer. Muito pelo contrário. Havia os bailinhos, o futebol de campo, as quermesses, as matinês e, ainda, as pescarias lá pelos lados de Santana do Parnaíba, Laranjal Paulista e Ibiúna. Mas para a inquietude jovem, não bastava. Sobrava um pouco de tempo livre e ele tinha que ser ocupado de alguma maneira.
        Nos finais de semana, as reuniões na casa da dona Luci Braga faziam parte da programação. Era como um clube social. Truco, dominó, pingue-pongue, batucada e muito bate-papo.
      Numa dessas reuniões entre amigos surgiu a ideia da formação de um time de futebol de salão. Na Vila não havia a prática desse esporte. Cada um de nós jogava em outros lugares. Na escola, na empresa ou em clubes. Pensamos, então, em formar nosso próprio time e, quem sabe, se a ideia vingasse, um clube de futebol de salão no Bairro.
       Do projeto para a prática foi questão de não mais que uma semana. Era assim mesmo. As ideias dificilmente ficavam guardadas por muito tempo. E, no dia 7 de novembro de 1976, a Vila contava com um time de futebol de salão, embora ainda ninguém soubesse disso.
      Os trabalhos iniciais ficaram a cargo de um pequeno grupo. Foram confeccionados cartazes com a frase “Rio Branco vem aí” e colados, de madrugada, pelo Bairro todo. Isso, pelo menos dez dias antes da data marcada para a estreia do time.
     Foi interessante acompanhar a especulação dos moradores a respeito dos cartazes. Não sabiam do que se tratava. Diziam que era um supermercado, uma padaria, um loteamento, uma farmácia. Apostavam em um estabelecimento comercial. Não imaginavam que pudesse ser um time de futebol, criado por meia dúzia de malucos que queriam preencher o tempo.
    Dois ou três dias antes da estreia, foram distribuídos cartazes com informações mais detalhadas. Esclarecendo o mistério. Neles estava anunciada a primeira apresentação da equipe. “Vem aí o Rio Branco Futebol de Salão. Prestigiem. Não percam o grande jogo de sábado à noite!”. Esse era mais ou menos o texto divulgado. Quebrado o segredo, nossas equipes passaram a fazer a divulgação de forma mais intensa. O time ganhou até uma torcida feminina, organizada para acompanhá-lo nas quadras e ajudá-lo na promoção de seus jogos.
    Dois quadros, primeiro e segundo, como à época se apresentavam os times. O nome foi escolhido em uma reunião dos organizadores. Dentre muitas sugestões, prevaleceu a de Rio Branco Futebol de Salão. A casa em que a ideia nascera ficava na rua Rio Branco, 27. Hoje, José Luiz Braga Filho. Aliás, a casa ainda existe.
    Doze, o número de atletas. A entrada de um novo participante somente poderia acontecer no lugar de alguém que deixasse a equipe.
      O ambiente de camaradagem que se percebia no grupo fez com que, em pouco tempo, o time se tornasse sucesso na Vila, chegando a ter lista de espera por uma vaga.
     Uniforme bordô e branco. Aparecia bonito nas fotos. Ganhava colorido especial sob as luzes dos refletores. Dava brilho aos atletas.
        E, quase tão rápido como surgiu, o Rio Branco Futebol de Salão saiu de cena para a história do Jardim Portela. Permaneceu em atividade por mais ou menos um ano, se muito. Mas deixou lembranças. Registrados em uma foto, alguns dos atletas que fizeram parte da equipe. João Barriga (João Ednaldo Corrêa Lima) – Jacaré (José Barbosa) – Abatiá – Ayrton (Ayrton Corrêa) – Walter (Walter Braga) – Pedrinho (Pedro Virgílio Corrêa Filho) – James (Antonio James Pinheiro) – Batista (João Batista Vieira) – Betão (Carlos Roberto Gomes) – Lázaro (Lázaro Paiva) – Luisinho (Luis Braga) e Lucas.                         
27/3/2004
Texto do livro "Itapevi - minha cidade - em dois tempos -  2018 - À venda em clubedeautores.com.br 

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