FAMÍLIA DU CATIRA
Carlos Eduardo da Silva (Du Catira)
Meu
nome é Carlos Eduardo da Silva, nascido e criado na cidade de Itapevi. Tenho 41
anos, filho de Terezinha Maria de Jesus Garcia e José Carlos Fermino da Silva.
Mantenho a tradição e devoção a Santos Reis, tropeirismo e cultura caipira,
deixada pelos meus avós e tios maternos.
Aos
três meses de idade, fui internado por ter adquirido uma pneumonia grave. A
doença se agravou. Os médicos chamaram minha mãe e a informaram que eu havia
tido uma parada cardíaca, enfraquecendo meu coração e não garantiram minha
sobrevivência.
Minha
mãe saiu do hospital desesperada em direção à casa de minha avó Zulmira, que
residia no bairro do Jardim Portela. Contando o caso para minha avó, que no
mesmo momento disse: “– Minha fia, se apegue com Deus e Santos Reis e, se o
menino vinga, quando ele tiver 7 anos vai vestir a roupa de palhaço de Santos
Reis”.
Quando
fiz 7 anos, cumprindo a sua promessa, minha mãe vestiu em mim a farda de
bastião de Reis, junto com a máscara e o facão que foram presentes dados pelo
meu primo Sergio e meu amigo Luciano, que também eram bastião de reis.
Este,
então, foi o meu primeiro ano junto com a “Companhia Os Mensageiros dos Santos
Reis”, a qual meu tio Zé do Laço buscava com seu caminhão boiadeiro na cidade
de Guarulhos, para realizar o giro na cidade de Itapevi, finalizando com um
grande almoço na casa do meu avô Sebastião, no bairro do Portela.
Meu
avô Sebastião, todos os anos, para me ensinar a tradição, me levava até a
cidade de Muzambinho-Mg, para também realizar um giro de Santos Reis, cidade
aonde ele começou a vestir a farda e a andar com a companhia de reis, no ano de
1931, no Bairro do Morro Preto, em Muzambinho. Foi aí que nasceu em nossa
família a devoção por Santos Reis.
No ano
de 2005, fui à casa do meu avô combinar a viagem para Muzambinho, como era de
costume. Ele me disse: – Fio, acho que esse ano não vai dar pra eu ir com você
para Muzambinho. E respondi: – Se o senhor não for, também não irei. E firme no
que disse, ele rebateu: – Você vai sim, pra cumprir a nossa missão e tradição
de todos os anos. E eu não irei, pois estou velho, com 92 anos, e sinto que não
vou te acompanhar nessa viagem.
E foi
nesse ano que meu avô veio a falecer.
Tenho
mantido, durante todos esses anos, a tradição deixada por ele, seus ensinamentos,
devoção e comprometimento junto com a Companhia de Santos Reis durante os meses
de dezembro e, não satisfeito, com o intuito de ter uma bandeira de Santos Reis
em minha Casa, pedi para que minha Esposa confeccionasse uma bandeira, com a
qual eu iria realizar uma única festa fora de época, em agradecimento a Deus e
a Santos Reis, reunido com amigos e devotos.
A
devoção é tanta que agora, neste ano de 2017, completará o oitavo ano de festa
que é realizada com ajuda de grandes amigos e devotos de Santos Reis. Nessa
festa, além de apresentar a tradição e devoção a Santos Reis, também realizo o
encontro de violeiros, catireiros e apreciadores da comida tropeira.
Ainda,
graças à grande devoção, em forma de agradecimento, em 2016, realizei a
primeira cavalgada de Santos Reis, quando fomos, em peregrinação, de Itapevi a
Pirapora do Bom Jesus. No lombo do meu cavalo, com minha bandeira de Santos
Reis na mão, continuei mantendo a tradição passada pelo meu avô: a devoção por
Santos Reis e a prática do Tropeirismo.
Hoje, com 41 anos, vivo do transporte de
animais e passo a tradição de tropeirismo e devoção por Santos Reis aos meus
filhos e neta. Tenho o prazer de ter ao meu lado, acompanhando e também
mantendo a tradição, minha Esposa. Cada um deles tem uma função na companhia de
“Os Mensageiros dos Santos Reis”.
Durante a minha caminhada na tradição de
Folião de Santos Reis e cultura caipira, aprendi a dançar catira com o grupo
“Os favoritos da catira”, no qual eu, meu filho Júnior e Diego fazemos parte.
Por conta de toda cultura e tradição que
preservo, hoje sou conhecido como “Du Catira”.
Agradeço a Deus e a Santos Reis a Minha Vida,
Minha Família e os Amigos que tenho.
VIVA SANTOS REIS!!!
Carlos Eduardo da Silva, nascido e criado na cidade de Itapevi. Tem
41 anos, filho de Terezinha Maria de Jesus Garcia e José Carlos Fermino da
Silva. Mantém a tradição e devoção a Santos Reis, tropeirismo e cultura
caipira, deixada pelos meus avós e tios maternos.
Texto do livro “Pedras preciosas - Histórias de Itapevi” – 2018,
publicado e disponível para aquisição no Clube de Autores,
www.clubedeautores.com.br.
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