segunda-feira, 18 de março de 2019


FAMÍLIA DU CATIRA
Carlos Eduardo da Silva (Du Catira)

Meu nome é Carlos Eduardo da Silva, nascido e criado na cidade de Itapevi. Tenho 41 anos, filho de Terezinha Maria de Jesus Garcia e José Carlos Fermino da Silva. Mantenho a tradição e devoção a Santos Reis, tropeirismo e cultura caipira, deixada pelos meus avós e tios maternos.
Aos três meses de idade, fui internado por ter adquirido uma pneumonia grave. A doença se agravou. Os médicos chamaram minha mãe e a informaram que eu havia tido uma parada cardíaca, enfraquecendo meu coração e não garantiram minha sobrevivência.
Minha mãe saiu do hospital desesperada em direção à casa de minha avó Zulmira, que residia no bairro do Jardim Portela. Contando o caso para minha avó, que no mesmo momento disse: “– Minha fia, se apegue com Deus e Santos Reis e, se o menino vinga, quando ele tiver 7 anos vai vestir a roupa de palhaço de Santos Reis”.
Quando fiz 7 anos, cumprindo a sua promessa, minha mãe vestiu em mim a farda de bastião de Reis, junto com a máscara e o facão que foram presentes dados pelo meu primo Sergio e meu amigo Luciano, que também eram bastião de reis.
Este, então, foi o meu primeiro ano junto com a “Companhia Os Mensageiros dos Santos Reis”, a qual meu tio Zé do Laço buscava com seu caminhão boiadeiro na cidade de Guarulhos, para realizar o giro na cidade de Itapevi, finalizando com um grande almoço na casa do meu avô Sebastião, no bairro do Portela.
Meu avô Sebastião, todos os anos, para me ensinar a tradição, me levava até a cidade de Muzambinho-Mg, para também realizar um giro de Santos Reis, cidade aonde ele começou a vestir a farda e a andar com a companhia de reis, no ano de 1931, no Bairro do Morro Preto, em Muzambinho. Foi aí que nasceu em nossa família a devoção por Santos Reis.
No ano de 2005, fui à casa do meu avô combinar a viagem para Muzambinho, como era de costume. Ele me disse: – Fio, acho que esse ano não vai dar pra eu ir com você para Muzambinho. E respondi: – Se o senhor não for, também não irei. E firme no que disse, ele rebateu: – Você vai sim, pra cumprir a nossa missão e tradição de todos os anos. E eu não irei, pois estou velho, com 92 anos, e sinto que não vou te acompanhar nessa viagem.
E foi nesse ano que meu avô veio a falecer.
Tenho mantido, durante todos esses anos, a tradição deixada por ele, seus ensinamentos, devoção e comprometimento junto com a Companhia de Santos Reis durante os meses de dezembro e, não satisfeito, com o intuito de ter uma bandeira de Santos Reis em minha Casa, pedi para que minha Esposa confeccionasse uma bandeira, com a qual eu iria realizar uma única festa fora de época, em agradecimento a Deus e a Santos Reis, reunido com amigos e devotos.
A devoção é tanta que agora, neste ano de 2017, completará o oitavo ano de festa que é realizada com ajuda de grandes amigos e devotos de Santos Reis. Nessa festa, além de apresentar a tradição e devoção a Santos Reis, também realizo o encontro de violeiros, catireiros e apreciadores da comida tropeira.
Ainda, graças à grande devoção, em forma de agradecimento, em 2016, realizei a primeira cavalgada de Santos Reis, quando fomos, em peregrinação, de Itapevi a Pirapora do Bom Jesus. No lombo do meu cavalo, com minha bandeira de Santos Reis na mão, continuei mantendo a tradição passada pelo meu avô: a devoção por Santos Reis e a prática do Tropeirismo. 
Hoje, com 41 anos, vivo do transporte de animais e passo a tradição de tropeirismo e devoção por Santos Reis aos meus filhos e neta. Tenho o prazer de ter ao meu lado, acompanhando e também mantendo a tradição, minha Esposa. Cada um deles tem uma função na companhia de “Os Mensageiros dos Santos Reis”.
Durante a minha caminhada na tradição de Folião de Santos Reis e cultura caipira, aprendi a dançar catira com o grupo “Os favoritos da catira”, no qual eu, meu filho Júnior e Diego fazemos parte.
Por conta de toda cultura e tradição que preservo, hoje sou conhecido como “Du Catira”.
Agradeço a Deus e a Santos Reis a Minha Vida, Minha Família e os Amigos que tenho.
VIVA SANTOS REIS!!!

Carlos Eduardo da Silva, nascido e criado na cidade de Itapevi. Tem 41 anos, filho de Terezinha Maria de Jesus Garcia e José Carlos Fermino da Silva. Mantém a tradição e devoção a Santos Reis, tropeirismo e cultura caipira, deixada pelos meus avós e tios maternos.
Texto do livro “Pedras preciosas - Histórias de Itapevi” – 2018, publicado e disponível para aquisição no Clube de Autores, www.clubedeautores.com.br.

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