SÔNIA DO BIMBA
Sônia Aparecida Silva do Prado
Eu nasci na Vila São Francisco.
Meu
pai era dono de um depósito de banana aqui em Itapevi. Tinha barracas na
feira. Depois meu pai se desfez de tudo e fomos para Araras; aí eu já estava
com 8 ou 9 anos.
Enquanto
em Itapevi, éramos bem de vida. Chegando a Araras, não tínhamos nem onde morar,
porque meu pai havia perdido tudo, inclusive casa e caminhão. Meu pai,
infelizmente, era viciado em jogo.
Tempos
depois, voltamos de Araras, quando minha mãe conseguiu comprar um terreno no
Parque Suburbano, onde moramos durante um ano, época em que meu pai trabalhou no
frigorífico, vindo a conhecer o Pardal, irmão do Urbano.
Meu
pai havia trocado a casa do Suburbano por uma à beira da linha ferroviária.
Incomodado com o barulho dos trens aceitou a oferta do Pardal para que nos mudássemos para a
casa no Jardim Portela, onde minha mãe mora até hoje.
Nessa
época, eu tinha 12 ou 13 anos e me lembro de ter como vizinha a dona Mariinha
Baiana e o seu Zé, que são meus amigos até hoje e moram em Ribeirão Preto.
Eu
não tinha muitos amigos e comecei a trabalhar com 13 anos, cuidando da Ellen,
filha da Mércia (da família Oliveiras). Com o nascimento do Manfredo, passei a
cuidar dele também e da casa. Fiquei quase dois anos trabalhando com dona
Mércia.
Posteriormente,
conheci uma moça do Banco, esposa do gerente, seu Zé. Ela estava esperando
nenê, me viu no armazém do Ângelo (Armazém do Marques) e perguntou-me se eu
conhecia alguma pessoa para trabalhar. Aí eu fui trabalhar na casa dela, que
era onde hoje é o Itaú; fui cuidar das crianças.
Eu
não saía muito, porque meu pai era muito brabo e minha mãe era pior ainda.
Com
16 anos de idade, fui trabalhar em São Paulo, ocasião em que fiquei grávida do
Alexandre, e aí é que eu não saía mesmo.
Casada,
voltei a morar na Vila São Francisco, porque meu pai havia se separado de minha
mãe e eu fui morar com ela. Depois meu pai voltou a morar com minha mãe e
construímos uma casa de dois cômodos, lá no Portela, onde minha mãe ainda mora.
Ganhei o Alexandre nessa casa, assistida pela dona Ana Parteira.
Como
eu estava trabalhando, para ir aos bailinhos eu fugia e ficava só um pouquinho.
Os únicos bailes que eu frequentei eram os do porão da casa do Luizinho.
Depois
fui ser mãe, fiquei um ano e meio casada com o Álvaro, pai do Alexandre, e nos
separamos.
Cheguei
a ir ao cinema algumas vezes, mas, realmente, eu era muito reservada. Minha
irmã já era mais audaciosa. Colocava travesseiros em baixo do cobertor para
enganar minha mãe e fugia para bailes e festas. Eu ficava preocupada, porque se
meu pai perguntasse por ela, eu não sei o que aconteceria.
Tive
uma infância bem complicada, mas hoje sou bem resolvida com tudo o que
aconteceu. Teve pessoas muito boas na minha vida, como a Mércia, a mulher do
banco, que me ensinou a cuidar de uma casa, porque minha mãe nunca me ensinou a
fazer um arroz, por exemplo; aprendi trabalhando nessas duas casas.
Então,
a não ser aos bailes no porão da casa do Luizinho eu não ia a nenhum outro
lugar. Nunca frequentei circos e parques, que eram comuns na época. Perdi muita
coisa boa.
Fiz
datilografia na escola do seu Francisco onde hoje é a Secretaria da Educação.
Depois da separação fui trabalhar como secretária. Aí comecei a ter mais
liberdade. Saía bastante. Vivi minha vida. Minha mãe cuidava do Alexandre pra
mim e eu saía!
Conhecendo
o Bimba, as coisas mudaram. Como o pai dele trabalhava no Posto da Mariza, como
lavador de carros, o Bimba ficava por ali, brincando, e me via passar sempre
pelo posto.
Eu
e o Bimba moramos seis meses com a minha mãe, nos fundos, na casa de dois
cômodos. Daí a Tota foi embora e deu o sobrado para morarmos, onde tive a
Janaína que o Pedrinho e a Miriam, passando por lá, tiveram a oportunidade de,
diversas vezes, vê-la na janela. Ganhei a Janaína sob os cuidados do Dr. Guilherme.
Na época tinha 22 anos. Ficamos morando no sobrado mais ou menos um ano e meio.
Sônia Aparecida Silva do Prado – Nascida em 29
de dezembro de 1954, na cidade de Itapevi, onde mora até hoje. Filha de
Benedito Cantelli (Dito Bananeiro) e Gerônima Silva de Jesus Dias. Casada com
Urubatan Rosa do Prado. Filhos, Alexandre Eduardo Ribeiro da Silva e Janaina
Silva do Prado. Aposentada pela Prefeitura Municipal de Itapevi.
Texto do livro “Pedras preciosas - Histórias de
Itapevi” – 2018, publicado e disponível para aquisição no Clube de Autores, www.clubedeautores.com.br.

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