quinta-feira, 28 de março de 2019

SÔNIA DO BIMBA
Sônia Aparecida Silva do Prado

Eu nasci na Vila São Francisco.
Meu pai era dono de um depósito de banana aqui em Itapevi. Tinha barracas na feira. Depois meu pai se desfez de tudo e fomos para Araras; aí eu já estava com 8 ou 9 anos.
Enquanto em Itapevi, éramos bem de vida. Chegando a Araras, não tínhamos nem onde morar, porque meu pai havia perdido tudo, inclusive casa e caminhão. Meu pai, infelizmente, era viciado em jogo.
Tempos depois, voltamos de Araras, quando minha mãe conseguiu comprar um terreno no Parque Suburbano, onde moramos durante um ano, época em que meu pai trabalhou no frigorífico, vindo a conhecer o Pardal, irmão do Urbano.
Meu pai havia trocado a casa do Suburbano por uma à beira da linha ferroviária. Incomodado com o barulho dos trens aceitou a oferta do Pardal para que nos mudássemos para a casa no Jardim Portela, onde minha mãe mora até hoje.
Nessa época, eu tinha 12 ou 13 anos e me lembro de ter como vizinha a dona Mariinha Baiana e o seu Zé, que são meus amigos até hoje e moram em Ribeirão Preto. 
Eu não tinha muitos amigos e comecei a trabalhar com 13 anos, cuidando da Ellen, filha da Mércia (da família Oliveiras). Com o nascimento do Manfredo, passei a cuidar dele também e da casa. Fiquei quase dois anos trabalhando com dona Mércia.
Posteriormente, conheci uma moça do Banco, esposa do gerente, seu Zé. Ela estava esperando nenê, me viu no armazém do Ângelo (Armazém do Marques) e perguntou-me se eu conhecia alguma pessoa para trabalhar. Aí eu fui trabalhar na casa dela, que era onde hoje é o Itaú; fui cuidar das crianças.
Eu não saía muito, porque meu pai era muito brabo e minha mãe era pior ainda.
Com 16 anos de idade, fui trabalhar em São Paulo, ocasião em que fiquei grávida do Alexandre, e aí é que eu não saía mesmo.
Casada, voltei a morar na Vila São Francisco, porque meu pai havia se separado de minha mãe e eu fui morar com ela. Depois meu pai voltou a morar com minha mãe e construímos uma casa de dois cômodos, lá no Portela, onde minha mãe ainda mora. Ganhei o Alexandre nessa casa, assistida pela dona Ana Parteira.
Como eu estava trabalhando, para ir aos bailinhos eu fugia e ficava só um pouquinho. Os únicos bailes que eu frequentei eram os do porão da casa do Luizinho.
Depois fui ser mãe, fiquei um ano e meio casada com o Álvaro, pai do Alexandre, e nos separamos.
Cheguei a ir ao cinema algumas vezes, mas, realmente, eu era muito reservada. Minha irmã já era mais audaciosa. Colocava travesseiros em baixo do cobertor para enganar minha mãe e fugia para bailes e festas. Eu ficava preocupada, porque se meu pai perguntasse por ela, eu não sei o que aconteceria.
Tive uma infância bem complicada, mas hoje sou bem resolvida com tudo o que aconteceu. Teve pessoas muito boas na minha vida, como a Mércia, a mulher do banco, que me ensinou a cuidar de uma casa, porque minha mãe nunca me ensinou a fazer um arroz, por exemplo; aprendi trabalhando nessas duas casas.
Então, a não ser aos bailes no porão da casa do Luizinho eu não ia a nenhum outro lugar. Nunca frequentei circos e parques, que eram comuns na época. Perdi muita coisa boa.
Fiz datilografia na escola do seu Francisco onde hoje é a Secretaria da Educação. Depois da separação fui trabalhar como secretária. Aí comecei a ter mais liberdade. Saía bastante. Vivi minha vida. Minha mãe cuidava do Alexandre pra mim e eu saía!
Conhecendo o Bimba, as coisas mudaram. Como o pai dele trabalhava no Posto da Mariza, como lavador de carros, o Bimba ficava por ali, brincando, e me via passar sempre pelo posto.
Eu e o Bimba moramos seis meses com a minha mãe, nos fundos, na casa de dois cômodos. Daí a Tota foi embora e deu o sobrado para morarmos, onde tive a Janaína que o Pedrinho e a Miriam, passando por lá, tiveram a oportunidade de, diversas vezes, vê-la na janela. Ganhei a Janaína sob os cuidados do Dr. Guilherme. Na época tinha 22 anos. Ficamos morando no sobrado mais ou menos um ano e meio.

Sônia Aparecida Silva do Prado – Nascida em 29 de dezembro de 1954, na cidade de Itapevi, onde mora até hoje. Filha de Benedito Cantelli (Dito Bananeiro) e Gerônima Silva de Jesus Dias. Casada com Urubatan Rosa do Prado. Filhos, Alexandre Eduardo Ribeiro da Silva e Janaina Silva do Prado. Aposentada pela Prefeitura Municipal de Itapevi.
Texto do livro “Pedras preciosas - Histórias de Itapevi” – 2018, publicado e disponível para aquisição no Clube de Autores, www.clubedeautores.com.br.

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