sábado, 17 de outubro de 2020

 Fragmentos de um passeio pelo Bairro do Jardim Portela

 

Estação Sargento Santana

 


Rua da Biquinha

 Falando do bar da escadaria, lembrei-me de uma conversa que tive com o Tino dia desses, quando ele me contou que ali onde hoje é um lava rápido, antigamente era o bar do seu João. Segundo ele, o seu João comprou (alugou?) o imóvel que pertencia ao seu Ruy, que morava aqui na esquina, na casa do seu Zé (?). Ele até descreveu seu Zé e o seu Ruy: “O seu Zé era um homem que usava um chapelão e seu Ruy era moreninho, magrinho e ‘vermeião’”.

– É, Pedrinho, parece que o Tino tem boa memória!

– E tem mesmo. Ele contou que, junto com o seu Pedro Corrêa, seu Juventino e outros amigos construíram o campo de malha. Mais tarde, o seu João se mudou para o bar da escadaria e o barzinho passou para um homem gordão, de quem ele não se lembra do nome. Por último, disse ele, o seu João se mudou para um imóvel em frente à casa da dona Zulmira. “O seu João tinha duas filhas, mas só me lembro do nome de uma delas: Elisabete, concluiu.”

– O nome da outra filha do seu João e da dona Neusa é Elisete - alguém lembrou - e o nome do “seu Zé” não seria seu Cesário?

O bar do seu João a que o Tino se refere era chamado por nós de barzinho, talvez para diferenciá-lo do bar da escadaria. Quanto ao homem gordão, quero crer seja o "Dito Cocão", que depois também teve bar na escadaria. O barzinho, também foi do seu Geraldo, um senhor que veio, se não me engano de Osasco, com sua esposa e duas filhas: Izabel e Irene.

 E outra lembrança que me veio à memória, foi da primeira escola do bairro, que ficava ao lado do bar, lembram? E da professora dona Sonia? São muitas as lembranças, o estouro das boiadas, as festas juninas, os bailinhos na casa dos vizinhos.

 Caramba, Elisabete! Escola ao lado do bar? Dona Sonia? Estamos falando do Portela?

 Pedrinho, você e o Ayrton provavelmente não se lembram, porque são mais velhos que eu e a Ângela e não estudaram lá. Devem ter começado seus estudos no Briquet ou no Rondon. Nesta escola só havia uma sala, a de primeiro ano; foi meu pai que conseguiu junto a prefeitura, com muita insistência e com ajuda de alguns vereadores como o Sr. Romeo Manfrinato, que posteriormente se elegeu prefeito, e que foram convencidos da necessidade de uma escola mais próxima, para atender a população do bairro.

 Do campo de malha eu também me lembro. Ele começava na parede do barzinho e terminava no início da Rua Rio Branco. Chegou até ser iluminado para que pudesse ter jogos à noite.

 Eu me lembro de um senhor magro e careca, de nome Jerônimo, que também, em algum momento, foi dono do bar da escadaria.

  Então, James, quando o Jerônimo era dono do lugar, nós costumávamos nos reunir para jogar truco. O Jerônimo alugava o local para uns rapazes, era uma espécie de pensão.

– Disso não me lembro, não, Pedrinho.

– Mudando um pouco de assunto, vocês já pararam pra pensar na quantidade de pessoas amigas que já mencionamos em nossos causos até agora? Algumas delas, a gente não sabe nem por onde andam.

– Eu já pensei nisso sim e até mencionei alguns desses nomes: Carlinhos do Sargento; Mi, da dona Lola; dona Guiomar; Messias, filho do Mestre; dona Luci; Luiz Carlos e Beth, filhos da dona Raquel; Cara Preta; Cidinho; Zico; Dudu e Té, filhos do seu Oscar e de dona Jandira.

– Isso mesmo, James. Eu acrescentaria mais alguns: Pitucha, Vavá, Xaxinha e China, irmãos do Cidinho; Dito Jorge; dona Ismênia; Lea e Daniel, filho do Dito Jorge.

 

Bem pessoal! Acho que devemos fazer nossa primeira parada logo ali na frente; na biquinha. Aproveitem para encher as garrafas e beber o quanto quiserem, porque água igual a essa só lá do outro lado da Vila, no “correguinho” que sai da chácara do japonês ou na mina d’água do campinho, atrás dessa mesma chácara.

A Biquinha, alertada pela Caixa d’água, havia se preparado para receber visita. As calhas feitas de bambu aberto ao meio brilhavam à luz do sol. O pequeno bebedouro, formado pela queda d’água, deixava ver o fundo forrado de areia branca, e a cuia feita com a metade da casca de um coco, balançava dependurada em um galho, oferecendo-se aos visitantes que, para ela, pareciam familiares. Tinha a impressão de conhecê-los de algum lugar... ou de algum tempo.

A Biquinha olhava para a expressão de alegria daqueles visitantes e reconhecia, em cada um deles, a criança que, em outros tempos parava para se refrescar com suas águas geladas, ainda que o sol castigasse tudo à sua volta.

 

(Ainda tem mais)

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