Fragmentos de um passeio pelo Bairro do Jardim Portela
Estação
Sargento Santana
– Falando do bar da escadaria,
lembrei-me de uma conversa que tive com o Tino dia desses, quando ele me contou
que ali onde hoje é um lava rápido, antigamente era o bar do seu João. Segundo
ele, o seu João comprou (alugou?) o imóvel que pertencia ao seu Ruy, que morava
aqui na esquina, na casa do seu Zé (?). Ele até descreveu seu Zé e o seu Ruy: “O seu Zé era um
homem que usava um chapelão e seu Ruy era moreninho, magrinho e ‘vermeião’”.
– É, Pedrinho, parece
que o Tino tem boa memória!
– E tem mesmo. Ele contou
que, junto com o seu Pedro Corrêa, seu Juventino e outros amigos construíram o
campo de malha. Mais tarde, o seu João se mudou para o bar da escadaria e o
barzinho passou para um homem gordão, de quem ele não se lembra do nome. Por
último, disse ele, o seu João se mudou para um imóvel em frente à casa da dona
Zulmira. “O seu João tinha duas filhas, mas só me lembro do nome de uma delas:
Elisabete, concluiu.”
– O nome da outra filha
do seu João e da dona Neusa é Elisete - alguém lembrou - e o nome do “seu Zé”
não seria seu Cesário?
– O bar do seu João a que o Tino se refere era
chamado por nós de barzinho, talvez para diferenciá-lo do bar da escadaria.
Quanto ao homem gordão, quero crer seja o "Dito Cocão", que depois
também teve bar na escadaria. O barzinho, também foi do seu Geraldo, um senhor
que veio, se não me engano de Osasco, com sua esposa e duas filhas: Izabel e
Irene.
– E
outra lembrança que me veio à memória, foi da primeira escola do bairro, que
ficava ao lado do bar, lembram? E da professora dona Sonia? São muitas as
lembranças, o estouro das boiadas, as festas juninas, os bailinhos na casa dos
vizinhos.
– Caramba, Elisabete! Escola ao
lado do bar? Dona Sonia? Estamos falando do Portela?
– Pedrinho, você e o Ayrton
provavelmente não se lembram, porque são mais velhos que eu e a Ângela e não
estudaram lá. Devem ter começado seus estudos no Briquet ou no Rondon. Nesta
escola só havia uma sala, a de primeiro ano; foi meu pai que conseguiu
junto a prefeitura, com muita insistência e com ajuda de alguns vereadores
como o Sr. Romeo Manfrinato, que posteriormente se elegeu prefeito, e que foram
convencidos da necessidade de uma escola mais próxima, para atender a população
do bairro.
– Do campo de malha eu também
me lembro. Ele começava na parede do barzinho e terminava no início da Rua Rio
Branco. Chegou até ser iluminado para que pudesse ter jogos à noite.
– Eu me lembro de um senhor
magro e careca, de nome Jerônimo, que também, em algum momento, foi dono do bar
da escadaria.
– Então, James, quando o Jerônimo era dono do lugar, nós
costumávamos nos reunir para jogar truco. O Jerônimo alugava o local para uns
rapazes, era uma espécie de pensão.
– Disso não me lembro, não,
Pedrinho.
– Mudando um pouco de
assunto, vocês já pararam pra pensar na quantidade de pessoas amigas que já
mencionamos em nossos causos até agora? Algumas delas, a gente não sabe nem por
onde andam.
– Eu já pensei nisso sim e
até mencionei alguns desses nomes: Carlinhos do Sargento; Mi, da dona Lola;
dona Guiomar; Messias, filho do Mestre; dona Luci; Luiz Carlos e Beth, filhos
da dona Raquel; Cara Preta; Cidinho; Zico; Dudu e Té, filhos do seu Oscar e de
dona Jandira.
– Isso mesmo, James. Eu
acrescentaria mais alguns: Pitucha, Vavá, Xaxinha e China, irmãos do Cidinho;
Dito Jorge; dona Ismênia; Lea e Daniel, filho do Dito Jorge.
Bem pessoal! Acho que devemos
fazer nossa primeira parada logo ali na frente; na biquinha. Aproveitem para
encher as garrafas e beber o quanto quiserem, porque água igual a essa só lá do
outro lado da Vila, no “correguinho” que sai da chácara do japonês ou na mina
d’água do campinho, atrás dessa mesma chácara.
A Biquinha, alertada pela
Caixa d’água, havia se preparado para receber visita. As calhas feitas de bambu
aberto ao meio brilhavam à luz do sol. O pequeno bebedouro, formado pela queda d’água, deixava
ver o fundo forrado de areia branca, e a cuia feita com a metade da casca de um
coco, balançava dependurada em um galho, oferecendo-se aos visitantes que, para
ela, pareciam familiares. Tinha a impressão de conhecê-los de algum lugar... ou
de algum tempo.
A Biquinha olhava para a
expressão de alegria daqueles visitantes e reconhecia, em cada um deles, a
criança que, em outros tempos parava para se refrescar com suas águas geladas,
ainda que o sol castigasse tudo à sua volta.
(Ainda tem mais)

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