Pátio Esperança - Apresentação
O Pátio Esperança resistia ao desmanche a que era
submetida grande parte da malha ferroviária. O sucateamento e desativação de
trechos, antes a pleno vapor, não alcançaram o Pátio e seus arredores.
Sob o esmero do Zé do Apito, ex-ferroviário, aposentado compulsoriamente,
como fazia questão de frisar, máquinas, equipamentos, imóveis e via permanente,
eram conservados como novos.
A pequena estação, sempre apinhada de gente e com intenso tráfego de
trens de passageiros e de cargas, se destacava com seus jardins e plataformas
sempre muito bem cuidados.
As casas da Turma, ao lado da estação, chamavam a atenção pelo asseio
com que eram mantidas e pelas plantas ornamentais que enfeitavam suas fachadas.
A manutenção da via permanente era evidente. Bastava observar seus
trilhos e dormentes perfeitamente assentados, sem que uma pedra sequer
estivesse fora do lugar.
Esse era o mundo de Zé do Apito e assim ele imaginava todo o restante da
ferrovia. Não lhe cabia, nem em pensamentos, que a empresa a que tanto se
dedica estivesse passando por qualquer tipo de modificação. Desativação? Nem em
sonhos.
E seu Zé era feliz em seu mundo particular. Nada parecia ameaçar seu
sossego, até que um dia dona Maria Fumaça resolve colocá-lo frente a frente com
a realidade.
Autor: Ayrton Corrêa - Texto do livro "Pátio Esperança", publicado em 2017, pela Editora Clube de Autores.

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