sábado, 31 de outubro de 2020

 

Pátio Esperança - Apresentação



 

O Pátio Esperança resistia ao desmanche a que era submetida grande parte da malha ferroviária. O sucateamento e desativação de trechos, antes a pleno vapor, não alcançaram o Pátio e seus arredores.

Sob o esmero do Zé do Apito, ex-ferroviário, aposentado compulsoriamente, como fazia questão de frisar, máquinas, equipamentos, imóveis e via permanente, eram conservados como novos.

A pequena estação, sempre apinhada de gente e com intenso tráfego de trens de passageiros e de cargas, se destacava com seus jardins e plataformas sempre muito bem cuidados.

As casas da Turma, ao lado da estação, chamavam a atenção pelo asseio com que eram mantidas e pelas plantas ornamentais que enfeitavam suas fachadas.

A manutenção da via permanente era evidente. Bastava observar seus trilhos e dormentes perfeitamente assentados, sem que uma pedra sequer estivesse fora do lugar.

Esse era o mundo de Zé do Apito e assim ele imaginava todo o restante da ferrovia. Não lhe cabia, nem em pensamentos, que a empresa a que tanto se dedica estivesse passando por qualquer tipo de modificação. Desativação? Nem em sonhos.

E seu Zé era feliz em seu mundo particular. Nada parecia ameaçar seu sossego, até que um dia dona Maria Fumaça resolve colocá-lo frente a frente com a realidade.

Autor: Ayrton Corrêa - Texto do livro "Pátio Esperança", publicado em 2017, pela Editora Clube de Autores.

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